Fotografia: DR
Bilhete de Identidade
Rui Arsénio (“Jó” para os sô’primos)
Feito, gerado, nascido (a 3 de Junho de 1956 – 63 anos), criado e vivido na Ericeira
Reformado
A Ericeira é como uma droga potente
A Ericeira é como uma droga potente: uma vez provada, jamais sairá da alma da gente.
O que mais ama e menos gosta na Ericeira?
O que eu mais gosto na Ericeira é certamente o mar, o cheiro da maresia e o seu povo acolhedor de brandos costumes. O que eu menos gosto na Ericeira é a prepotência de alguns aperfilhados da vila que nos tomam por gente parva.
Quais são as suas principais preocupações no presente e para o futuro da Ericeira?
Preocupa-me no presente o crescimento desenfreado que está a decorrer. No futuro temo que se agrave a perda de identidade que já é uma realidade. Essa é a minha maior preocupação. Não termos voz em algumas instâncias faz com que fiquemos algo limitados.
Há muita maneira de definir o que é ser jagoz
O que é ser Jagoz?
O “ser jagoz” é uma condição muito difícil de explicar. É algo que se sente, porque temos características singulares que pertencem às dos povos da beira-mar, com a particularidade de sermos especialmente orgulhosos. Ser jagoz é ver o mar diariamente, saber acolher, dizer mal de tudo, inclusivamente de nós próprios. Ser jagoz é dizer “sô primo”, “nha belha”, o bairrismo, a nossa marcha, é a Banda Filarmónica a tocar, é o azul do mar e o dar tudo pela nossa terra. É depressa ganhar saudades da vila e é também gostar de caneja d’infundice. É ser o “Estricoli, o Bandarras, a Nana da Repolha…” Há muita maneira de definir o que é ser jagoz.
Considera-se Jagoz?
Claro que me considero um jagoz. Para justificá-lo diria apenas que amo por completo a minha terra e que gosto muito de escrever sobre ela, para ela e por ela. É muito simples sentir-me jagoz, até porque não acredito que fosse capaz de viver fora dela.

