Fotografia: DR
As noites de Segunda-feira em Mafra estão entregues ao cinema — e da melhor forma possível. O CineMafra já arrancou no Auditório Municipal Beatriz Costa, e a sessão de estreia, no dia 2, com o filme “Conclave”, deu o mote para o que promete ser um mês recheado de grandes histórias no grande ecrã.
A programação continua todas as segundas-feiras, às 21:30, com títulos que merecem lugar cativo na agenda dos cinéfilos. No dia 9 é a vez do cinema romeno brilhar com “O Ano Novo que não Aconteceu”.
cinco Segundas-feiras e um Sábado dedicados à 7ª Arte
Nesta história, ao entrelaçar os percursos de vida mais ou menos triviais de seis indivíduos diferentes, que se cruzam num só dia em Bucareste, Muresanu compõe uma tragicomédia em torno da revolução romena de 20 de Dezembro de 1989, que levou ao fim da ditadura comunista de Nicolae Ceaușescu, instalada no país desde 1964.
Filmada em 4:3, em tons de cinza e de vários ângulos distintos, a obra transporta o espectador para a atmosfera opressiva e castradora que toldava o país naqueles dias e que nada ou ninguém previa poder desfazer-se e converter-se em liberdade.
A 16 de Junho entra em cena o aclamado “Old Boy”, uma das obras-primas do cinema sul-coreano, que retrata a história de Dae-su, um homem casado e com uma filha, que é raptado, drogado, torturado e mantido em cativeiro sem qualquer explicação durante quinze anos.
Subitamente posto em liberdade, recebe dinheiro, um telemóvel e um fato novo. Desorientado, luta para descobrir porque foi preso enquanto o raptor lhe envia mensagens que o incitam à vingança.
No dia 23 chega a intensidade emocional de “Tangerinas”: em 1992 as tensões étnicas entre abecásios e georgianos cresceram com os movimentos de independência da República da Geórgia. A guerra civil matou milhares de pessoas e a maioria dos sobreviventes partiu. Margus e Ivo, pelo contrário, decidiram ficar. O primeiro permanece para cuidar da sua plantação de tangerinas, o segundo decide não abandonar o único lar que conheceu. Certo dia, são apanhados no fogo cruzado entre abecásios e georgianos.
No conflito, apenas dois soldados sobrevivem, um de cada facção. Decididos a não os abandonar à sua sorte, Margus e Ivo decidem levá-los para casa e cuidar dos seus ferimentos. Apesar de se detestarem e prometerem matar-se na primeira oportunidade, Ivo consegue uma trégua temporária. Mas à medida que se sentem recuperar, os dois inimigos começam a perceber a humanidade que existe no outro e a apaziguar a raiva que sentem dentro de si.
No dia 30 fecha-se o mês com chave de ouro (e uma boa dose de reflexão existencial) com o clássico “Stalker”, de Tarkovsky: Na chamada “Zona Proibida” há rumores de que existe um quarto onde os mais íntimos desejos são realizados.
Um badalado escritor e um professor autoritário partem em busca deste quarto, cada um com as suas razões, que preferem não revelar. São guiados por Stalker, o guia da Zona, que é tanto um santo tolo como o apóstolo de uma nova fé.
Além da programação regular, haverá ainda uma sessão especial no Sábado, 7 de Junho, também às 21:30, com a exibição de “Deportado”. Este filme deveria ter sido exibido em Abril, mas foi adiado devido ao corte geral de energia conhecido como “apagão”.
Os bilhetes custam 3 euros para munícipes e menores de 23 anos, e 5 euros para o público em geral. Podem ser adquiridos nos Postos de Turismo de Mafra e da Ericeira, na Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva (Ericeira), em www.ticketline.pt ou no local, uma hora antes da sessão.
O CineMafra integra a candidatura à Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP) e está incluído na ação “Programação Cultural RTCP”.