Arquivo Nacional do Som vai começar a ser construído em Mafra

 

Fotografia: DR

 

A Câmara Municipal de Mafra vai avançar com a construção do Arquivo Nacional do Som, após adjudicação da obra à empresa RUCE – Construção e Engenharia S.A., por um valor de 6,4 milhões de euros, acrescidos de IVA.

Segundo a agência Lusa, o processo de adjudicação surge no seguimento de um segundo concurso público lançado em Maio, ao qual concorreram seis empresas. Três foram excluídas por não apresentarem propostas nem documentação, tendo a proposta vencedora sido considerada a mais adequada dentro do valor base de 7,1 milhões de euros (sem IVA). A construção deverá estar concluída num prazo de 10 meses.

o projecto começou em 2019, quando Pedro Félix liderou uma equipa que identificou meio milhão de registos sonoros ameaçados pela degradação ou obsolescência tecnológica

Este novo projecto será financiado, em grande parte, pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com um apoio de 4,5 milhões de euros para a obra e mais dois milhões destinados à aquisição de equipamentos.

O edifício será construído de raiz, com o projecto a ser assinado pelo Ateliê Carvalho Araújo Arquitetos. Estará integrado no ambiente envolvente e aproveitará o declive natural do terreno. Terá um jardim público e infra-estrutura preparada para futuras ampliações. A estrutura contará com cinco pisos: um subterrâneo com zonas de serviço e entrada, outro piso para infra-estruturas técnicas, um piso de entrada com áreas administrativas e de contacto com visitantes, outro com laboratórios e, no topo, os depósitos principais.

O objectivo do Arquivo Nacional do Som é reunir, conservar e digitalizar o património sonoro nacional, garantindo condições técnicas adequadas à sua preservação.

A ideia do projecto nasceu em 2019, com a criação de uma estrutura de missão liderada pelo investigador Pedro Félix, que identificou cerca de meio milhão de registos em risco, devido à degradação dos suportes físicos ou obsolescência tecnológica. A maioria desses materiais pertence a entidades situadas na Área Metropolitana de Lisboa, o que justifica a escolha de Mafra como localização estratégica.

Entre os conteúdos a preservar estarão desde os primeiros cilindros de cera e discos da transição do século XIX para o XX, até CDs e documentos “nado digitais”, como gravações de paisagens sonoras e sons de pássaros e música distribuída online e podcasts.

Desde a sua criação, a equipa do Arquivo Nacional do Som já realizou mais de dez programas de digitalização e conservação urgente, além de ter estabelecido mais de 20 parcerias com entidades nacionais e internacionais. O seu trabalho deverá culminar com a inauguração desta nova infra-estrutura que promete ser um marco na salvaguarda da memória sonora de Portugal.