Texto: Carina Steinhauser| Fotografia: Nazaret (Imagens no Ponto)
Ela é uma cupido das amizades femininas. Carina Gomes reúne as mulheres da Ericeira através de eventos mensais, encontros e workshops. Em Novembro passado, lançou o Girls Social Club, uma comunidade destinada a mulheres locais e estrangeiras na Ericeira para que se possam conhecer e criar laços.
A ideia surgiu em Junho de 2025, motivada por uma iniciativa pessoal. A jovem de 24 anos, natural da região, sentia falta de amizades femininas e sabia da existência de clubes semelhantes em Lisboa. Não queria, no entanto, ter de se deslocar até Lisboa, pelo que surgiu a ideia de criar o seu próprio clube. «Mas tenho um problema. Nunca começo o que começo», confessa Carina. Só em Outubro, quando deixou o emprego, é que lançou a plataforma.
Sinto-me como o Pai Natal
No Instagram, ela publica horários e atrai o seu público com fotos de amizades femininas. Entre brunchs acolhedores, jantares à beira-mar e aulas de dança, Carina organiza até dez eventos por mês. As mulheres podem inscrever-se através de um formulário online, bem como aderir a um grupo do WhatsApp com 200 membros. Agora, ela conhece até 60 desconhecidas por mês.
O primeiro evento contou com uma boa afluência. Onze mulheres de várias nacionalidades compareceram ao jantar social num restaurante no centro da Ericeira. «Quatro delas tornaram-se realmente próximas após o jantar e isso é algo que continua a acontecer na maioria dos eventos. Fico comovida sempre que abro o Instagram e vejo as raparigas irem juntas para a praia ou saírem para almoçar juntas.»
Rapidamente, o foco deixou de ser ela própria fazer amigos e passou a ser a criação de laços entre outras mulheres. Uma delas é Regina Berndt. A mexicana veio sozinha para a Ericeira no ano passado e participou no primeiro evento de sempre, que descreve como tendo um ambiente caloroso e acolhedor. «Pareceu-me a melhor forma de me relacionar com outras raparigas, especialmente porque viajar sozinha pode, por vezes, ser um desafio. Consegui fazer amigas quase instantaneamente, e isso também dá a oportunidade de conhecer Portugal e as suas pessoas a um nível mais profundo», conta Regina.
Carina Gomes nasceu e cresceu na Ericeira. Ela conhece os sítios para visitar, conhece as pessoas da vila. Para ela é importante ligar os eventos a negócios locais, como restaurantes e cafés. «Apoiar negócios que se esforçam ao máximo todos os dias é, para mim, muito gratificante. Sinto-me como o Pai Natal.»
O clube é só para mulheres. Não são permitidos homens. Carina pretende que seja um espaço seguro, onde as mulheres possam apoiar-se mutuamente, falar sobre as suas vidas na Ericeira e dar conselhos. A maioria das mulheres tem entre 18 e 35 anos, mas o clube também acolhe mulheres acima dessa faixa etária.
No início deste ano, Carina começou um novo trabalho como hospedeira num hotel. Enquanto organiza o clube e tenta participar em todos os eventos, mantém simultaneamente uma relação de longo prazo. A sua agenda está cheia. No entanto, não tem intenção de parar: «Não posso simplesmente deixar de juntar as pessoas. Agora é um vício.»
Carina diz que não o faz pelo dinheiro. Para os eventos cobra taxas de inscrição de dois a três euros para evitar faltas, os workshops ministrados por instrutores custam até 25 euros. Através de acordos com instrutores ou workshops guiados por ela, mantém uma pequena margem, que reinveste em publicidade ou projectos futuros. Espera que, um dia, isto se torne o seu trabalho a tempo inteiro.
É a primeira coisa que fiz que me parece ter um propósito
Carina conseguiu provar a si própria que é capaz de dar continuidade a um projeto. E funciona. Regularmente, entre oito a doze mulheres reúnem-se na Ericeira e partem com amizades recém-formadas.
Começando por Torres Vedras, Carina visa expandir o clube para «todas as Ericeiras que existem». «Todas as vilas ou pequenas cidades que não têm isto, como Peniche, Lagos ou Sagres. Quero começar por Torres Vedras e depois quero conquistar Portugal.» Daqui a cinco anos, espera chegar ao Algarve.
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