Mafra oferece subsídio mensal de 600€ para atrair mais médicos de família

 

Fotografia: DR

 

No concelho de Mafra a falta de médicos está a aumentar. Um subsídio mensal de 600 euros, durante cinco anos, pretende incentivar a fixação a longo prazo de médicos de clínica geral, médicos de família e autoridades de saúde pública.

Mais de um em cada três residentes deste município não tem médico de família. A escassez nacional é, por isso, particularmente acentuada nesta região. A iniciativa pretende atrair profissionais qualificados e foi aprovada por unanimidade numa reunião da Câmara Municipal de Mafra.

um factor que visa tornar mais atractiva a vinda de profissionais para o concelho de Mafra

Hugo Moreira Luís, presidente da Câmara Municipal de Mafra, afirmou numa entrevista à TVI: “Eu estou convicto disso e vou procurar criar essa resposta [à escassez], por forma a que cada vez mais rápida e oportunamente nós consigamos ter esse maior número de médicos no nosso concelho.” O seu plano pressupõe que os médicos se comprometam durante três anos, sendo depois o apoio majorado em 20 por cento. O apoio não será prolongado para além do período de cinco anos.

A ideia não é nova. O modelo já existe há dois anos, inicialmente com um subsídio de 400 euros. Em 2025 o apoio permitiu a contratação de três médicos para a região, enquanto em 2024 não foi recrutado um único médico. Por essa razão, o valor mensal será agora aumentado.

Hugo Santos, médico interno no centro de saúde USF Ouriceira, na Ericeira, encontra-se em processo de especialização para se tornar médico de família. Considera que o subsídio poderá constituir um factor que torne mais atractiva a vinda de profissionais para o concelho de Mafra. No seu caso pessoal a motivação radica nas raízes que tem na região.

No entanto, Santos também reconhece: “Muitos estudantes de medicina acabam por escolher não ser médicos de família e talvez devêssemos perguntar-nos porquê.” Parte do problema é a falta de valorização dos médicos de clínica geral, afirma.

Ainda não é claro se o apoio será também alargado aos profissionais já existentes. Para Hugo Santos isso não é, para já, relevante. “Se ajudar a trazer novas pessoas, é mais importante do que a equidade.” Acrescenta ainda que os médicos actualmente em funções já estão estabelecidos e poderão ter conseguido comprar ou arrendar casa quando as habitações eram mais acessíveis.

O objectivo de Hugo Moreira Luís é que 100 por cento da população tenha médico de família. Hugo Santos tem uma perspectiva diferente: “Num mundo ideal, toda a gente deveria ter médico de família, mas na realidade nem toda a gente precisa de um.” Santos argumenta que o problema não é apenas a falta de médicos, mas também a forma como se encontram distribuídos pela população.

Além disso, a referida iniciativa municipal inclui a redução para metade dos custos de apoio familiar para médicos com filhos em idade pré-escolar ou do ensino básico.

Tanto o presidente Hugo Moreira Luís como o médico interno Hugo Santos esperam que o incentivo se revele eficaz na atração dos profissionais necessários para a região. O presidente da Câmara Municipal de Mafra espera que as medidas entrem em vigor dentro de aproximadamente 60 dias.

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