Em Fevereiro há CineMafra X Quatro

 

Fotografia: Marius Gire

 

Fevereiro pode ser o mês mais curto do ano, mas o CineMafra volta a propor uma programação variada no Auditório Municipal Beatriz Costa, em Mafra: entre clássicos da 7ª Arte e filmes mais recentes, oriundos de vários países, sempre a partir das 21:30 das segundas-feiras.

A abrir, no dia 2 de Fevereiro, “Nouvelle Vague” (2024 | 1 h 45 min M12), realizado por Richard Linklater, autor de obras como “Boyhood” ou “Before”. Esta é uma irreverente declaração de amor ao icónico “O Acossado”, de Jean-Luc Godard, e ao espírito revolucionário de uma geração. Com ousadia e leveza, é recriada a génese do filme e o Verão inesquecível de 1959, em que Paris se tornou palco de uma revolução estética. Mais do que revisitar um clássico, o realizador evoca a energia da Nouvelle Vague, esbatendo as fronteiras entre realidade e ficção, tributo e reinvenção. Trata-se de um objecto cinematográfico livre e pulsante, que celebra a arte de fazer cinema e os jovens cineastas que ousaram reinventar tudo, plano a plano, sem medo e sem fôlego.

Na semana seguinte, a 9 de Fevereiro, será a vez de “Central do Brasil” (1998 | 1 h 50 min | M12), realizado por Walter Salles. Neste filme, Dora (encarnada por Fernanda Montenegro) escreve cartas para pessoas analfabetas na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Quando uma das suas clientes é atropelada, o seu filho Josué, de nove anos, fica perdido e abandonado na estação. A contragosto, Dora acolhe o menino e acaba por acompanhá-lo até ao interior do Nordeste, à procura do pai.

Recuando ainda mais no tempo, até 1980, uma película marcante na filmografia do mestre David Lynch será projectada a 16 de Fevereiro: “O Homem Elefante” (2 h 04 min | M12) conta a história de um brilhante jovem cirurgião que encontra num circo vitoriano um homem tão horrivelmente deformado que é condenado a uma vida degradante como uma aberração. Trata-se de John Merrick, conhecido pelo público dos circos de todo o país como “O Homem Elefante”. Embora Merrick não possa ser curado, Treves luta para o salvar da sua decadência e oferecer-lhe uma vida de dignidade e conforto.

O mês encerra no dia 23, com “O Bolo do Presidente” (2025 | 1 h 42 min | M12), realizado por Hasan Hadi. No Iraque dos anos 90, sob o regime de Saddam Hussein, Lamia, de nove anos, vive com a avó debilitada numa remota vila. Com o aniversário de Hussein a aproximar-se, a menina é encarregue de trazer um bolo para a turma… não tendo porém como pagar os ingredientes. Face à possibilidade de prisão, ou até morte, Lamia terá de recorrer à imaginação. Na sua primeira longa-metragem, Hasan Hadi concebe uma fábula moral comovente que retrata todo um país.