CineMafra vai apresentar filmes portugueses na Ericeira

 

Fotografia: DR

 

A Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, na Ericeira, vai receber durante o mês de Novembro uma nova edição do Ciclo de Cinema Nacional, inserida na iniciativa CineMafra.

As sessões decorrem sempre às 21:30, apresentando quatro produções nacionais que exploram diferentes estilos e olhares, da ficção histórica ao documentário contemporâneo.

quatro olhares distintos de cineastas portugueses

O ciclo arranca no dia 3 de Novembro com “Lavagante” (2025, M/12, 1h32), realizado por Mário Barroso. Trata-se de uma história de amor e enganos, num cenário marcado pela acção da polícia política da ditadura salazarista, a censura, as perseguições e as prisões, bem como a revolta estudantil do início dos anos 1960.  Adaptado da última obra de José Cardoso Pires, este foi igualmente o derradeiro argumento escrito por António-Pedro Vasconcelos.

Segue-se, a 10 de Novembro, “Sob a Chama da Candeia” (2024, M/14, 1h49), realizado por André Gil Mata. No Norte de Portugal, uma casa de azulejos verdes, um jardim, uma magnólia. Quartos cheios de objectos de vidas passadas aqui. Traços do tempo, gestos e afectos.

Aqui Alzira nasceu, viveu e morreu; aqui foi filha, mãe e avó; aqui brincou em criança, aprendeu piano e dedicou-se a um marido austero. Viveu todos esses anos com Beatriz, a empregada, ao ponto de hoje já não a suportar. Na noite da sua vida, Alzira, libertada pela morte do marido, toma pela primeira vez uma decisão que só a ela pertence.

Uma ficção inspirada pelas memórias que o cineasta André Gil Mata tem de Alzira, a sua avó, acompanhando a vida dela, da adolescência à velhice, em “quadros” baralhados no tempo ao sabor das recordações. “Sob a Chama da Candeia” é uma notável prova de maturidade do realizador, a ancorar esta história sobre a vida de uma mulher no Século XX português condenada ao “cativeiro” de “fada do lar”. Os longos planos-sequência que são a marca registada do cineasta emprestam-lhe uma humanidade singular.

A 17 de Novembro é exibido “LINDO” (2018, M/6, 1h30), de Margarida Gramaxo. O filme oferece um olhar íntimo e humano sobre uma economia frágil, uma Natureza em risco e um futuro que depende do diálogo entre tradição e mudança.

O filme conta a história de vida de Lindo: durante mais de 20 anos caçou tartarugas no Príncipe como meio de subsistência, até que começou a colaborar com biólogos e a ver o animal de forma diferente. Actualmente, trabalha em conservação marinha e protege as tartarugas de outros predadores.

Um filme contemplativo e imersivo, onde o ser humano e a Natureza são retratados como partes de um mesmo ecossistema. Um retrato profundo de como o futuro de uma ilha pode espelhar os dilemas do mundo.

O ciclo termina a 24 de Novembro com “Alis Ubbo” (2018, M/12, 1h03), um documentário de Paulo Abreu que retrata a transformação da paisagem urbana de Lisboa após a crise e a ascensão do turismo, acompanhando ironicamente a cidade num período de mudanças drásticas.

O título, de origem fenícia, significa “porto seguro”, uma referência que contrasta com a ironia do filme em relação ao turismo de massas, à gentrificação e à presença de hordas de turistas na cidade.

Os bilhetes para o CineMafra podem ser adquiridos nos Postos de Turismo de Mafra e da Ericeira, na Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, através do site www.ticketline.pt ou directamente no local de exibição, uma hora antes do início de cada sessão.

O CineMafra faz parte da candidatura à Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP), no âmbito da ação “Programação Cultural RTCP”.