Fotografia: António Almeida
No dia 3 deste mês (data na qual historicamente se comemora a Invenção da Santa Cruz) foi apresentado na presença de diversas autoridades civis e militares o projecto da cruz que abrirá a procissão magna pelas ruas de Roma no dia 17 de Maio, véspera da missa inaugural do novo pontificado de Leão XIV. Nesta procissão, na qual Mafra representará Portugal, serão transportadas para Roma imagens sacras provenientes de toda a Europa.
A cruz patriarcal, que abre a procissão, foi aprovada pelo Patriarca de Lisboa e foi executada em madeiras nacionais e exóticas, antigas e modernas, com aproveitamento de materiais pré-existentes, seguindo a exortação do Papa Francisco na encíclica Laudato Si’, onde recomenda “o cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade”.
a cruz tem em conta a estética associada à Basílica de Mafra
O Santo Padre também orientou sobre a criação de novos bens artísticos e a valorização da beleza: “é capaz também de produzir coisas belas e fazer o ser humano, imerso no mundo material, dar o ‘salto’ para o âmbito da beleza. Poder-se-á negar a beleza de um avião ou de alguns arranha-céus? Há obras pictóricas e musicais de valor, obtidas com o recurso aos novos instrumentos técnicos. Assim, no desejo de beleza do artífice e em quem contempla esta beleza, dá-se o salto para uma certa plenitude propriamente humana”.
A cruz, executada em Mafra no atelier da Drª Ilda Nunes, foi idealizada pelo artista Santiago Rodrigues Lopes, tendo em conta a estética habitualmente associada à Basílica de Mafra, dentro de um contexto de gosto dito “à romana”. Na cruz patriarcal será colocado um Cristo oferecido pelo rei de Portugal D. João V, custodiado pela Irmandade e que estará exposto na Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, entre os dias 15 e 19 de Maio.
Sobre esta iniciativa, Manuel Freixedas Torres, Juiz da Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra, comenta: “é com profundo sentido de missão que a Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra se associa a esta iniciativa histórica. Este momento não é apenas um testemunho da nossa fé, mas também um símbolo da união fraterna entre as irmandades, na caminhada comum de serviço e espiritualidade”.
Em Portugal, a única Irmandade a organizar uma delegação e a aderir ao desafio do Papa Francisco foi a Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra, que em 2023 foi beneficiada com a coroação pontifícia da imagem de Nossa Senhora da Soledade – exposta à veneração dos fiéis na Basílica de Mafra (a terceira imagem a receber esta graça pontifícia na história de Portugal), no contexto do apoio do Papa à piedade popular: “A piedade popular é a manifestação da memória de um povo.
Subestimar esta espiritualidade, considerá-la uma modalidade secundária da vida cristã, é esquecer a primazia da acção do Espírito Santo e da iniciativa gratuita do amor de Deus. Esta espiritualidade certamente não é um obstáculo, mas sim um espaço teológico”.
