“Jogo da Bola”

 

Texto e ilustração: José Rodrigues Cardoso

 

Quase todos os dias,
De manhã e à tarde
(Sejam quentes ou frias),
Um homem e uma bengala
Sentam-se num banco.
E com ela, ele fala
Com um discurso tão franco
Que ela o embala
E ele se faz santo.
Ali no meio da praça
Do jogo da bola,
De soslaio vê quem passa,
Olhando para a sola.
E espera somente
Que um qualquer ninguém
Não lhe apareça à frente
E o deixe em paz com o que tem.