“Xico Porras”: ganhou a alcunha a criança sincera que galgou a “pancada do mar” na vida

 

Texto e fotografia: Filipa Teles Carvalho

 

«Se queres aprender a orar, entra no mar» – ditado popular

 

Por cá toda a gente o conhece, não fosse ele um filho da terra, aqui nascido e criado e um dos Mestres pescadores da vila, agora já reformado. De uma simplicidade franca e pés bem assentes na terra, é preciso escavarmos por conta própria para saber que temos à nossa frente um herói. Francisco Eurico Franco Alberto, conhecido por todos por Xico Porras, nasceu na Ericeira na Rua dos Murtórios, no dia 18 de Maio de 1942. Um entre 11 irmãos, registado no dia 28, seria essa a data oficial do seu nascimento.

No dia desta entrevista, ia preparar uma caldeirada para quatro, cozer brócolos a vapor e enquanto nos despedíamos passava a sopa que ia comer nessa noite. A vida deixou-lhe a agilidade em paz, assim como o sorriso e a generosidade.

As muitas fotografias e pinturas do seu barco habitam com ele uma casa que celebra o azul, memórias e afectos. Tem o seu medicamento sempre à mão, uma garrafa de água, e vai-se lembrando desses “comprimidos”, a embalar uma conversa memorável.

Não se queixa, não dramatiza, não piora o que imaginamos ter sido – não duro, como diz –, duríssimo, muito perto ou já dentro do insuportável.

Apenas se fizermos as nossas próprias escavações na História sobre o tempo em que viveu (na actividade bacalhoeira) conseguimos medir o tamanho da sua gratidão. Custa-lhe muito o passar mal dos outros e a real dimensão do que terá enfrentado estará possivelmente relacionada com essa sensibilidade “especial”.

É um dos homens que pertenceram à antiga “Indústria Branca”, um dos que “andaram ao bacalhau”.

Rumou da Ericeira para, a bordo do Creoula, atravessar os mares da Gronelândia, onde se atingiam os 30 graus negativos e os homens (alguns miúdos, como ele) pescavam num bote para um – os dorys – sozinhos no mar alto durante cerca de 12 horas. Regressados ao navio, onde trabalhavam até todas as partes do peixe serem separadas e armazenadas, operavam numa autêntica “fábrica” no mar que testou os limites humanos na história da pesca portuguesa. Alguns ficaram lá, perdidos no meio da névoa, alguns morreram e foram sepultados no mar, muito longe dos seus.

Mas não é este homem que nos conta isto.

Não nega a dureza que passou e confirma-a assegurando que não tem «saudades nenhumas» de pertencer à tripulação do grande bacalhoeiro. Quem conta isto é mesmo a História dessa época. Livros, filmes, documentários e fotografias. Bernardo Santareno, por exemplo, acompanhou como médico estas campanhas de pesca. Esta experiência forte inspiraria a escrita de obras como «O Lugre» ou «Nos Mares do Fim do Mundo». Ele escreve: «Não há vida pior do que a de um pescador do bacalhau! Todos os anos um homem vem para este inferno no engodo de juntar uns patacos, a ver se fica em terra para sempre, se não volta mais às águas onde o dia nunca acaba e o sol brilha no meio da noite.». O Capitão australiano Alan Villiers, repórter da National Geographic, embarcou com os pescadores portugueses e esse relato resultou no livro «A Campanha do Argus», clássico da literatura marítima mundial e que relata a pesca do bacalhau por “homens de ferro em navios de madeira”. Na Ericeira vive um destes homens.

A minha sorte foi viver do mar

Nas palavras de Francisco Alberto foi um caminho, o seu caminho. À época, com 16 anos e muitos irmãos, talvez o único disponível para trocar as voltas à pobreza que na Ericeira mordia a tantos nesse tempo que veio a ter duas guerras: a colonial e a fome.

Cedo percebeu que teria de ser ele a pegar no leme da sua vida, literalmente contra ventos e tempestades. Aos nove anos já apanhava mexilhão para vender e até hoje agradece ao pai, pescador e instrutor da escola de pesca, Filipe António Inácio, «os dois pontapés no rabo e a “caldeirada” valente» que lhe deu quando resolveu faltar à escola.

Porque não tem dúvidas sobre o quanto vale saber ler: «Hoje noto, dou muito valor; a olhar para a televisão, estar sentado e ler o rodapé, as legendas ou o jornal. Os analfabetos não conseguem. Escapa-lhes muito mais.»

A alcunha ficou-lhe muito cedo, teria uns sete ou oito anos: «Eu ia sempre comprar o jornal ao doutor Bento e ele dava-me dez tostões, um escudo… sobrava sempre dois tostões. Ele dava-me esse troco e eu comprava uns figos ou outras coisinhas assim. Era poucochinho, mas era bom. E ele um dia desafiou-me a ir comer a casa dele. Escolheu lá o dia, e fui. Sentei-me à mesa, ele começa a tirar a sopa, duas conchas de sopa e eu comi. Depois fez mais uma tentativa de pôr mais e eu disse: “Porra, senhor doutor, só sopa… – eu não quero tanta sopa”. E eles riram-se, riram-se, e eu disse: eu queria é um bocado de galinha que tá ali em cima da mesa. No outro dia de manhã fui ao Burnay, onde íamos sempre jogar à bola, e quando venho o filho desse doutor gritou-me de lá: – Oh Xico Porras, vai buscar o jornal para o pai Bento!» E assim, ainda menino, ficou Xico Porras até hoje.

Da infância guarda marcas de dureza e também uma recordação das que ficam a brilhar desde aquele momento e a aquecer o coração pela vida.

«Não era fácil. Mesmo nada fácil. E então que a minha mãe teve tantos filhos…»

Dois dos seus irmãos faleceram em criança, vítimas de pneumonia, e recorda como tudo se aproveitava, até as galinhas dos vizinhos que morriam. «Os bichos morriam. E depois? Depois comiam-se. Nós aproveitávamos. A carne estava boa na mesma e era preciso comer.»

A alegria desse tempo vivia na corrida dos miúdos como ele, que saltavam na praia antes da escola quando as barcas chegavam – com peixe-espada, sardinha, carapau –, a ver se caía ou sobrava alguma coisa para eles, surpresas com muito valor, nada insignificantes, autênticos tesouros.

Fiquei louco de contente porque eu nunca tive prenda nenhuma sem ser figos

Explica que a existência não era fácil, mas não só para ele: para muitos. «A malta vivia com o pouco que tinha. Não se sabia nada da vida, como hoje se sabe. O que é que a gente sabia de política ou alguma coisa? A gente não tinha ordem de falar… A malta abriu mais os olhos foi do 25 de Abril para cá. Vamos ouvindo hoje, ouvindo amanhã – temos televisões – naquele tempo não tínhamos nada. Andávamos descalços e rotos, com a roupa remendada. Hoje as pessoas não sabem o que é que se passou. Não sabem, as pessoas não sabem…».

Voltando à recordação mais brilhante de menino, essa chegou por terra e sobre rodas: «Eu tinha um senhor meu amigo, – enfermeiro desse doutor a quem eu ia comprar o jornal. Eu ia para a praia, pequenino, apanhava umas sardinhas ou algum carapau, passava pela porta dele e ele perguntava: queres-me vender esses peixes? E eu, deixe lá, tio Bernardino que eu dou-lhos. Isto aconteceu algumas vezes e um dia ele ofereceu-me uma camionetezinha, um brinquedo… fiquei tão feliz com aquela camioneta que nem imagina. Já não era nova, mas gostei tanto dela que nunca mais me esqueci. Fiquei louco de contente porque eu nunca tive prenda nenhuma sem ser figos. A minha mãe punha sempre no sapatinho da gente quatro figos, quatro rebuçadinhos, e era assim. Era assim que era o Natal.

Mas a gente não precisava disso, este país não precisava disso. Hoje digo-o, naquela altura não sabia. Tínhamos ouro a montes, guardado… e as pessoas a passarem fome e sem trabalho.»

Cédula Xico Porras - ph. Filipa Teles Carvalho

 

O Creoula

Aos 12 anos foi para a escola de pesca, onde adquiriu ensinamentos que iria usar toda a sua vida. Aos 16 seguiria para o Creoula, completando no mar gelado, muito longe de casa, os 17. No mar, navegou mundo: Gronelândia, Canadá, Mauritânia, Holanda e todos os sítios onde passou sem ficar.

E porque é que foi? Saberia ao que ia? – pergunto.

«Naquele tempo vivia-se bastante mal», explica. «Eles davam seis contos antes da gente arrancar – era dinheiro! – quando chegávamos davam-nos mais cerca de um conto e novecentos mais ou menos, de acordo com o que tínhamos apanhado depois de quase sete meses de mar alto. Também era dinheiro. Aqui… aqui não havia nada.».

Apesar de explicar animadamente funções e a azáfama no navio, assume um tom sério que deixa adivinhar a dureza: «Não tenho saudades nenhumas».

Num ambiente no mínimo inóspito, revela ventos e sustos. «Há muitos ventos fortes lá [Gronelândia]. Há ventos de 150 km e a gente uma vez apanhou um desses. Levou tudo. Rasgou os panos todos, aquilo parecia um deserto, parecia um pandemónio, o fim do mundo! (risos). Tínhamos uma baleeira com quatro mil quilos de carvão… o vento levou aquilo, nem vimos nada, nem baleeira nem carvão. Foi tudo pelo ar.»

No dia desta conversa, o quadro do navio que tem em sua casa também veio ver o mar junto à capela, a pedido. Ainda cedo, motivou a curiosidade de outros homens do mar que fazem apenas uma pequena ideia do que terá sido navegar no Lugre de quatro mastros e 67,4 metros.

No dia desta conversa, o quadro do navio que tem em sua casa também veio ver o mar junto à capela, a pedido. Ainda cedo, motivou a curiosidade de outros homens do mar que fazem apenas uma pequena ideia do que terá sido navegar no Lugre de quatro mastros e 67,4 metros.

E o que é que um “miúdo” de 17 anos pensa no meio desse cenário dantesco?

«Eu vi dois nazarenos a rezar, de joelhos, à Nossa Senhora da Nazaré, lá em baixo onde a gente dormia. Vi-os a rezar… olhe, eu já nem quis ver mais nada, nem rezar, nada! Enrolei-me e passadas aí umas horas, ouvimos: “- Oh rapaziada, vá que está melhor tempo… aliviou-nos logo a todos. Porque éramos moços, os moços não vão para o leme. Com mau tempo vão os marinheiros.».

António Alberto lembra-se de quase tudo. Já soube mesmo os nomes todos de cada pequena peça, de cada pequena parte. Mas explica facilmente o funcionamento do navio falando por vezes no presente, como se ainda lá estivesse. Só de panos, uma mão-cheia de nomes: Placa, Giba, Burrajona, Traquetes, Mezenas, pano latino. Tá a ver aqui uma coisinha redonda? – aponta - tá preso ali, levanta-se …» (até coisas escondidas sabe o que são). «Tá a ver aqui uma casinha? Era para fazer o fígado de bacalhau. Não se mandava nada fora».

Francisco Alberto lembra-se de quase tudo. Já soube os nomes todos de cada pequena peça, de cada pequena parte. Mas explica facilmente o funcionamento do navio falando por vezes no presente, como se ainda lá estivesse. Só de panos, uma mão-cheia de nomes: Placa, Giba, Burrajona, Traquetes, Mezenas, pano latino. Tá a ver aqui uma coisinha redonda? – aponta – tá preso ali, levanta-se …» (até coisas escondidas sabe o que são). «Tá a ver aqui uma casinha? Era para fazer o fígado de bacalhau. Não se mandava nada fora».

Do Creoula recorda ainda as sirenes que chamavam os homens (avisos), sobretudo quando era de cinco em cinco minutos, sinal que vinha mau tempo. «Aquilo era duro, depois dos avisos era sempre a remar, a remar para chegar a bordo e fugir do mau tempo. Tínhamos a bússola, sabíamos onde estava o navio e ouvíamos a sirene. Antes de partirmos no bote, davam-nos um comprimido castanho, assim grandinho, e “uma cornada” de aguardente. Ou duas ou três, as que a malta quisesse.».

Francisco Franco Alberto nunca soube para que era o comprimido. Julga que era para não terem receio e irem à vontade. Seria para o enjoo, ou algum tipo de alimento? – pergunto. Ri um riso solto. «Era mas é para a gente não ter medo, toma lá, vai, não te rales… A malta perdia o medo. Ali não havia medo nenhum.»

Quanto ao frio da Gronelândia, as palavras são escassas e a assertividade domina: «É muito frio. Quando a gente lá chega o mar está cheio de gelo. Espera-se dois, três dias até o gelo desaparecer. As correntes ajudam nisso. Depois a gente pode pescar lá os três meses. É sempre de dia… pesca-se lá 80 dias, não é mais…».

Algumas das embarcações (à esquerda) e viagens que fez, em inúmeras geografias.

Algumas das embarcações (à esquerda) e viagens que fez, em inúmeras geografias.

«Temos que procurar a nossa vida»

O nascimento dos seus dois filhos conta-se entre as grandes alegrias que salienta da idade adulta, assim como a altura em que teve o seu barco.

«Quando nasceu o primeiro eu estava em Cabo Branco, fiquei contentíssimo. Comprei logo – mal fui a terra – uns calçõezinhos – para ele. Depois mais tarde, sete anos depois, nasceu o meu segundo. Ao ter o meu barco também fiquei contente, claro.».

De convicções assumidas, é crítico em relação aos jovens que não querem nem estudar nem trabalhar: «Ele não cai do céu, ai não cai, não. Não pensem nisso.»

Sente que o 25 de Abril foi essencial e, sobretudo, muito bom para os pobres. Antes disso, desabafa com algum pesar, nem direito a descontos se tinha pelos anos de trabalho. Não contava para a reforma, para nada.». Recebeu a notícia da revolução (também) no mar alto através da rádio e foi uma festa, um alívio. Sobretudo também por causa «daquela gente», como lhes chama, «aquela PIDE…», – altura em que o sorriso, quase sempre presente, desaparece por completo e senta-se um silêncio breve à mesa.

Nunca foi de bebidas e cigarros nem pensar porque gosta de respirar bem. Homem de fé, assume-se católico «e verdadeiro», embora não vá à igreja. «O que é que eu vou fazer à igreja? Mas se eu vir um pobre não posso passar sem o ajudar.»

Sócio do Belenenses, gosta do Bloco de Esquerda e não tem dúvidas que o anterior governo «não matou a malta toda aí porque não calhou. Com cortes até nos hospitais, etc. E se eu for vivo é na Catarina que eu vou votar sempre.»

Depois de três anos no bacalhau, seguiram -se  mais três em Cabo Branco, Mauritânia, No Creoula esteve dois anos como moço, outro como pescador. Segue-se um ano de Ilha de São Vicente.  «Depois de 12 ou treze anos vi que não me safava, não passava da renda da casa. Fui-me embora para a Holanda. E ali comecei a resolver a minha vida. Estive lá dois anos, foi o suficiente. Chegando cá comprei um barquinho e depois vendi-o para comparar um barco bom. O princípio da nossa vida custa sempre mais um bocadinho, não é? É a toda a gente…».

«Depois de 12 ou 13 anos vi que não me safava, não passava da renda da casa. Fui-me embora para a Holanda. E ali comecei a resolver a minha vida. Estive lá dois anos, foi o suficiente. Chegando cá comprei um barquinho e depois vendi-o para comprar um barco bom. O princípio da nossa vida custa sempre mais um bocadinho, não é? É a toda a gente…».

Tem fama de ajudar. Pergunto-lhe se é verdade. «Ajudar, não sei … acho que sou amigo das pessoas. Porque eu sei muito bem o que é a passagem da nossa vida. E ainda hoje há muita gente aí a sofrer. E depois também há os não sabem estimar aquilo que têm. Têm que ir à luta, temos que ir à luta! Eu não tenho muito, diz de sorriso franco. Sou é assim quando vejo certas coisas. Mas estou bem na minha vida. Tenho a minha reformazinha, mas o que tenho foi conquistado com muito sacrifício. E fui sempre sério na minha vida. Sempre.»

A qualidade que mais valoriza nas pessoas é a bondade. «Admiro as pessoas boas que conheço. Muitas que lidam comigo. Pessoas mesmo boas. Algumas juntam-se a mim também para tratar dos animais que andam por aí. Valorizo também as pessoas que trabalham, assim como eu fiz. Graças a deus posso falar assim porque eu lutei sempre pela minha vida. Ninguém me deu nada. Foi tudo do meu trabalho.»

Se a Natureza é importante? «Então não é? Então a Natureza não é tão bonita? Está à vista de qualquer um. Já viu em Maio, aparecem aquelas florzinhas… e no mar é tudo contacto com a Natureza. Os homens é que estragam muito o mar; estragamos todos, não há ninguém que não estrague. Quem estragou mais foram os arrastões. A pesca artesanal não tem comparação.»

Passamos para o outro lado da Natureza. A rebeldia, a fúria.

Já por cá, em mares perto de casa, o maior susto que apanhou foi há cerca de 23 anos, em Agosto. «Estávamos a pescar e foi de repente que se fez o temporal. Uma nuvem grande… trazia lama, chuva, trovões, tudo. Não morremos porque não calhou. Consegui dominar o barco com força, também tinha o motor bem afinado… e foi a nossa sorte. Se parasse, aquilo ia tudo no ar. Esse mau tempo começou do Magoito para norte e matou duas pessoas.»

Já não vai ao mar. Agora vai um dos seus filhos, o que lhe dá um misto de orgulho e uma natural preocupação. Pai e avô orgulhoso, desabafa: «É bom ver os meus filhos assim a trabalhar. E eles sabem que eu gosto de os ver assim.»

Há alguma coisa melhor que o mar?

Casado há mais de 40 anos com Maria Argentina Bernardo da Luz Franco Alberto, de quem conserva a memória no coração, sabe bem como tudo passa e como a vida teima em continuar. Quanto a sonhos, continua o pragmatismo a acompanhar o sorriso aberto: «Os meus sonhos são ver os meus filhos felizes e a minha neta. Eu já não posso avançar mais. A minha vida foi muito boa e fui muito feliz».

Mas ainda sobram sonhos, para a Ericeira. Seguem directamente para o Porto. «Gostava de ver o Porto arranjado para a malta poder viver. Senão está muita mau… anda aí muita gente pobre que vive do trabalho do mar, das embarcações que a gente tem. Falhando as embarcações, tá mau… a casinha deles é aqui: para onde é que eles vão? Para Peniche, para Cascais? Não podem, não dá.

O mar foi a sua sorte, disse-me. «Graças a deus», confirma. «Há alguma coisa melhor que o mar?

Xico Porras - ph. Filipa Teles Carvalho