Um Edifício Real que se tornou Património Mundial

 

Fotografia: Nuno Trindade

 

“Somos Património Mundial – o Real Edifício de Mafra é… uno, único e excepcional!”: este é o símbolo do orgulho mafrense num dos seus principais ícones (porventura, mesmo o maior), cuja importância passa agora a ser reconhecida não apenas nacionalmente como a nível global.

Na sequência da deliberação do Comité do Património Mundial, reunido na sua 43ª sessão que está a decorrer em Baku (Azerbeijão), o Real Edifício de Mafra (complexo que integra o Palácio, a Basílica, o Convento, o Jardim do Cerco e a Tapada) já se encontra desde ontem inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO, à imagem do que sucedeu com o Santuário do Bom Jesus, em Braga.

Portugal, que conta agora com 17 locais classificados em território nacional (havendo ainda 11 que constituem património mundial de origem portuguesa no mundo), foi o único país a inscrever dois monumentos nesta lista, algo que traz uma marca de qualidade (e uma exigência de responsabilidade) acrescida ao país.

É por isso que todo o país exulta com esta entrada no “Quadro de Honra” do Património Mundial: de seguida apresentamos algumas das principais reacções e declarações de personalidades portuguesas.

Hélder Sousa Silva: este reconhecimento constitui um ponto de partida

Para o Presidente da Câmara Municipal de Mafra, Hélder Sousa Silva, este é “um momento histórico para os mafrenses e para os portugueses, constituindo um motivo de orgulho e um compromisso de futuro”. Traduzindo o orgulho da comunidade, declarou que “o monumento que é a síntese em ‘pedra e mármore’ da cultura Barroca europeia não só marcou para sempre a identidade do concelho, como constitui a razão pela qual Mafra se encontra incluída, desde a primeira metade do século XVIII, nos itinerários culturais, religiosos, turísticos e académicos como símbolo de arte de expressão internacional”. Fundamentando o apelo ao compromisso, explicou que “este reconhecimento constitui, mais do que um ponto de chegada, um ponto de partida, tanto para uma renovada consciencialização colectiva para a protecção acrescida do bem, no profundo respeito pela sua magnificência e pela plena fruição pública, como para a introdução de novas dinâmicas, posicionando-o como um local de (re)encontros: dos mafrenses com a sua história; dos nacionais e estrangeiros com um conjunto patrimonial diversificado na tipologia, mas único no conceito”.

SOMOS PATRIMÓNIO MUNDIAL

O Presidente da Câmara Municipal de Mafra, Hélder Sousa Silva, endereça uma mensagem aos mafrenses, a partir de Baku (Azerbaijão), onde se realiza a reunião da UNESCO que deliberou inscrever o Real Edifício de Mafra na lista do Património Mundial.

Gepostet von Câmara Municipal de Mafra am Sonntag, 7. Juli 2019

Mário Pereira: Mafra e o seu monumento há muito que mereciam esta inscrição

Nas palavras do Director do Palácio Nacional de Mafra, Mário Pereira, “A inevitabilidade de um reconhecimento não poderia, nem deveria ser protelada. Mafra e o seu monumento há muito que mereciam esta inscrição na lista do Património Mundial”.

Luís de Barros: os paroquianos de Mafra têm o privilégio de poder celebrar a sua fé na Basílica do Real Edifício de Mafra

O Pároco de Santo André de Mafra, Luís de Barros, afirmou que “Os paroquianos de Mafra têm o privilégio de poder celebrar a sua fé na Basílica do Real Edifício de Mafra, um templo que é verdadeiramente inspirador: da estatuária italiana ao conjunto instrumental dos seis órgãos e dos dois carrilhões, incluindo a magnífica paramentaria. Face à distinção atribuída pela UNESCO, a Paróquia de Santo André de Mafra manifesta a sua alegria e renova o seu empenho na preservação, valorização e divulgação deste património singular”.

Paula Simões: a primeira pesquisa feita pelos turistas no Google, no Booking ou no Trip Advisor é saber aquilo que é Património Mundial

A Presidente da Direcção da Tapada Nacional de Mafra, Paula Simões, sublinhou: “Feita uma aposta na requalificação deste património natural, pondo em evidência os aspectos identitários e singulares, esta atribuição projecta internacionalmente este lugar. Neste momento, conseguimos transmiti-lo às gerações futuras com um valor acrescentado, e igualmente gerar um estímulo à continuidade da sua conservação e protecção. Reserva de biodiversidade, ponto de encontro de gerações e espaço de lazer sem paralelo, a Tapada Nacional de Mafra orgulha-se deste estatuto, abrindo as suas portas aos visitantes de todo o Mundo, que passarão a conhecer melhor este espaço e a sua História. A atribuição deste estatuto pela UNESCO é importante para a projecção internacional da região e o país. A primeira pesquisa que é feita pelos turistas no Google, no Booking ou no Trip Advisor é saber aquilo que é Património Mundial. Todos beneficiaremos do crescimento turístico que virá, será uma mola de desenvolvimento da região e permitirá aos operadores turísticos criar novas rotas”.

Brigadeiro-General Silva Rodrigues: a Escola das Armas congratula-se com este reconhecimento

“A Escola das Armas congratula-se com este reconhecimento que muito valoriza o Concelho de Mafra e Portugal. A Escola das Armas e o Exército continuarão, em sintonia com os outros parceiros deste projecto, a trabalhar para a conservação deste valioso património nacional, agora também considerado Património Mundial”, declarou o Comandante da Escola das Armas, Brigadeiro-General Silva Rodrigues.

Marcelo Rebelo de Sousa: é um motivo de grande regozijo para o Presidente da Republica e para todos os portugueses

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considera que inscrição do Palácio Nacional de Mafra e do Santuário do Bom Jesus em Braga na lista do Património Mundial é motivo de “grande regozijo para todos os portugueses”. Numa nota publicada na página da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa congratula-se assim com as decisões da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), referindo que “é um motivo de grande regozijo para o Presidente da Republica e para todos os portugueses”. “Saúdo vivamente os promotores destas candidaturas, os autarcas, os diplomatas, as autoridades civis e eclesiásticas, e todos aqueles que, também na sociedade civil, ajudam a levar mais longe o património português físico, histórico, artístico, religioso ou intelectual”, lê-se no documento.

António Costa: mais um motivo de orgulho para Portugal

Também o primeiro-ministro António Costa não deixou passar a data em branco. “Mais um motivo de orgulho para Portugal. Parabéns a todos os que contribuíram para tal reconhecimento”, escreveu na sua página do Twitter.

Graça Fonseca: dois magníficos monumentos portugueses, testemunhos vivos da nossa história, património e cultura

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, sublinhou ainda “a importância destas distinções, que reconhecem a diversidade de dois magníficos monumentos portugueses, testemunhos vivos da nossa história, património e cultura”. “Parabéns a todos os que trabalharam para esta distinção, parabéns a Portugal!”, lê-se na também na sua página do Twitter.

Sampaio da Nóvoa: o património não é passado, é o presente e é o futuro

O embaixador de Portugal na Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), António Sampaio da Nóvoa, disse que inscrição do Palácio de Mafra e do Bom Jesus de Braga foi uma “grande emoção” que significa também “uma responsabilidade acrescida” de Portugal em relação ao seu património cultural. “Há uma grande emoção da nossa parte, em estarmos aqui quase do outro lado do mundo, numa reunião deste comité e podermos inscrever dois bens com significado histórico e cultural”. “É uma responsabilidade acrescida de Portugal em relação ao património cultural. Mais importante do que inscrever os bens, é termos capacidade de os preservar, proteger, conseguir que esta dimensão patrimonial esteja ligada à nossa vida. Compreender que o património não é passado, é o presente e é o futuro. Não é uma coisa histórica, é a nossa realidade e se não soubermos preservar o nosso património, não temos futuro”.

O dossier com a proposta para a inscrição do Real Edifício de Mafra na lista do Património Mundial da UNESCO foi desenvolvido sob a coordenação da Direcção-Geral do Património Cultural e da Câmara Municipal de Mafra, com a colaboração do Palácio Nacional de Mafra, Escola das Armas, Tapada Nacional de Mafra e Patriarcado de Lisboa – Paróquia de Santo André de Mafra.