RIOT: “Até Julho o coração e a cabeça estão com Buraka Som Sistema”

 

Texto: Hugo Rocha Pereira

Fotografia: DR

 

Conhecem o Rui Pedro Soares da Silva Pité? E se falarmos em RIOT, produtor, DJ e baterista do furacão musical que dá pelo nome de Buraka Som Sistema? Em Maio conversámos com o músico num bungalow do Ericeira Camping, quando a organização do Sumol Summer Fest (que começa já Sexta-feira) reuniu alguns artistas para a realização de entrevistas. Em cima da mesa estiveram diversos assuntos, tendo como ponto de partida as actuações em nome próprio agendadas para o festival e como termo de chegada o derradeiro concerto da banda que levou a Buraca ao mundo e arredores. Pelo meio, abordou-se também a sua relação com a Ericeira, que passa por prazeres da vida, sejam festivos ou gastronómicos. RIOT passa pelo Sumol Summer Fest a 24 de Junho, tocando no Soundset de Ribeira d’Ilhas e, mais tarde, no Palco Sumol Remix Sound Academy, já no recinto do festival.

 

Teres começado como baterista continua a influenciar-te?

Eu comecei como baterista e acabei como baterista. Comecei a tocar bateria com bandas que não têm nada a ver com o estilo dos Buraka. E mais tarde larguei a bateria para me dedicar à produção e à música eletrónica. Tenho obviamente uma visão diferente dum outro colega que toque outro instrumento. A música com uma secção rítmica forte foi sempre a que me chamou mais atenção, quer em termos de produção como da música que gosto de passar. Entretanto, com o evoluir dos Buraka também acabei por voltar a tocar bateria ao vivo, que é o que tenho feito com a banda até agora. E, em paralelo, continuo a produzir também música para mim e para Buraka, por isso posso dizer que é uma parte muito importante na maneira como produzo e passo som.

 

O ritmo é o mais importante para um DJ?

Hoje em dia já não me preocupo muito se um DJ dá um prego ou outro, acho mais importante a selecção musical e se me põe a dançar. Não quero saber se estão dez segundos fora do sítio.

 

Fala-nos um pouco da tua experiência anterior no Sumol Summer Fest.

Não sou virgem neste festival, é verdade [risos]. A primeira vez que vim ao festival foi no ano passado, porque nas anteriores edições estávamos sempre fora ou a tocar noutro pais qualquer com Buraka. Eu não sabia muito bem o que esperar: tinha a ideia dos outros anos, dum cartaz muito virado para o reggae. Nós percebemos claramente que a nossa inclusão e das outras bandas que vieram nesse ano representava um ponto de viragem do festival para um público maior. Quando mudas, as coisas nem sempre correm como esperas, por isso vínhamos com algum receio, mas quando chegámos aqui fomos super bem recebidos e correu tudo muito bem, muito boa onda. Ainda deu para passear e ver concertos noutros palcos, que é uma coisa rara, e também fui comer com os meus pais, que também vieram porque este é um sítio engraçado. Em palco foi a festa habitual de Buraka, claro.

Pode ser que consiga pôr o pessoal a dançar

Quais são as principais diferenças para ti entre tocar bateria numa banda como Buraka e passar som como DJ? E que expectativas tens para este ano, em que vens como DJ?

É muito diferente passar som e tocar ao vivo, mas não é melhor nem pior. A expectativa do publico é diferente, a maneira como tu te apresentas se calhar é um pouco mais próxima como DJ. Às vezes sinto que uma banda em palco é um bocado mais inalcançável que um DJ. Um DJ parece que é um amigo teu que está ali a passar som. Também é um bocado isso que pretendo que as pessoas sintam. Com o espectro de sons que passo, e como já tenho alguns aninhos disto, pode ser que consiga pôr o pessoal a dançar.

 

Preferes tocar em clubes ou em festivais?

Eu não tenho preferências. É complicado responder de forma simples a essa pergunta, porque há clubes e clubes. Quando tocas num clube pequeno, em que existe um historial grande em bass music, tu podes explorar mais essa vertente porque as pessoas vão responder. E depois tens o live: e em festivais as pessoas estão receptivas a quase tudo, querem festa e tu consegues explorar tudo e mais alguma coisa, sem ninguém se queixar. E mesmo que se queixem, devem ser só um ou dois lá no meio, nem dás por isso. E enquanto DJ isso dá gozo, podes jogar consoante as ocasiões.

A minha relação com a Ericeira é pequena mas boa

Tens alguma relação com a Ericeira?

A minha relação com a Ericeira é pequena mas boa: passa basicamente por vir cá almoçar com o Mastiksoul. E comer é uma parte muito importante da nossa vida. Em Buraka, se ninguém trabalhasse em música, toda a gente tinha um restaurante. E depois tenho a experiência de vir ao Sumol Summer Fest e ainda uma passagem de ano espectacular que fiz aqui, numa casa alugada com muitos músicos de Lisboa.

 

Quais são os teus projectos actuais?

Até Julho o coração e a cabeça então com os Buraka Som Sistema, que vão dar os últimos concertos. A 1 de Julho despedimo-nos no encerramento das Festas de Lisboa, junto à Torre de Belém. Também tenho estado a trabalhar no meu álbum, que ainda não tem data marcada exatamente pelos Buraka ainda estarem activos. Paralelamente, tenho lançado uns temas com influências mais de zouk e kizomba, em conjunto com um colega chamado Mikal.

 

Como é que tem corrido esta tour de Buraka Som Sistema, que é um misto de comemoração dos 10 anos e despedida da banda?

Tem sido muito bom, mas um misto de sentimentos. É uma coisa que a gente já tem vindo a preparar há algum tempo, mas quando se começa a aproximar o fim começa a intensificar-se a mistura de sentimento, o que também faz parte. Fomos sempre muito bem recebidos, tocámos nos Estados Unidos, na Colômbia, na Europa e correu tudo muito bem. Agora só vai haver mais este concerto em Portugal, marcado para Lisboa no dia 1 de Julho.

Na companhia de Blaya, cúmplice em Buraka Som Sistema e na actuação marcada para o Soundset de Ribeira d'Ilhas - ph. Carla Ferreira

Na companhia de Blaya, cúmplice em Buraka Som Sistema e na actuação marcada para o Soundset de Ribeira d’Ilhas – ph. Carla Ferreira