Paula Rego recebeu a Medalha de Mérito Cultural do Governo português

 

Fotografia: DR

 

A artista Paula Rego recebeu anteontem a Medalha de Mérito Cultural do Governo português, numa cerimónia que aconteceu no estúdio da artista em Londres.

Nascida em Lisboa, Paula Rego, que completou 84 anos em Janeiro deste ano, viajou para Inglaterra aos 16 anos para terminar os estudos secundários numa escola privada e ingressou, no ano seguinte, na Slade School of Fine Art. Possui dupla nacionalidade, portuguesa e britânica, e em 2010 foi distinguida com o grau de Dame Commander of The Order of the British Empire pela rainha Isabel II, pela sua contribuição para as artes.

A mais consagrada pintora portuguesa viva tem uma relação umbilical com a Ericeira, que constitui uma das mais profundas influências na sua Obra, tal como a AZUL já abordou em diversos artigos, reportagens e entrevistas.

faltava este reconhecimento pelo Governo português

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, admitiu que “faltava este reconhecimento” pelo Governo português: “É um gesto simbólico, com tudo o que isso significa, mas faltava este reconhecimento com a Medalha de Mérito Cultural do Governo do seu país, do Governo de Portugal, e que era importante que fosse feito”, disse, após uma visita ao estúdio da artista, na capital britânica. Em 2016 Paula Rego tinha sido homenageada com a medalha de honra da cidade de Lisboa.

A entrega da condecoração foi feita em privado, com a presença de dois dos filhos de Paula Rego, Caroline e Nick Willing, e da assistente e modelo, Lila Nunes, além do embaixador de Portugal no Reino Unido, Manuel Lobo Antunes.

Relembre-se que, em entrevista à AZUL, Nick Willing afirmou mesmo que “A Ericeira é a memória mais forte que Paula Rego retém da sua vida”. Não por acaso, na reportagem que a RTP realizou sobre a entrega da condecoração Paula Rego conta uma história passada na Ericeira, mais precisamente no moinho que ficava perto da sua casa.

Esta mais recente condecoração coincide com uma grande exposição retrospectiva da obra da pintora em Milton Keynes, cidade a norte de Londres, e que se centra na consciência social e política de alguns dos seus trabalhos.

“Paula Rego: Obediência e Desafio”, no museu MK Gallery, abrange a obra desde os anos 1960 até 2011, com mais de 80 trabalhos, desde desenhos e gravuras em papel a colagens e pinturas em grandes telas.

Da mostra fazem partes quadros produzidos durante a ditadura portuguesa, como “Salazar a Vomitar a Pátria”, de 1960, e sobre o aborto, alguns dos quais produzidos após o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, em 1998, repetido em 2007, resultando na despenalização apenas à segunda tentativa.

Ministra da Cultura lançou o desafio para descentralizar o acervo da Casa das Histórias

A obra de Paula Rego tem mais mostras planeadas, uma na galeria Marlborough, que representa a artista, nas novas instalações em Nova Iorque em 2020, outra retrospectiva no museu Tate Britain, em 2021.

Graça Fonseca adiantou que fez recentemente o desafio à Câmara Municipal de Cascais e à Fundação Dom Luís para “descentralizar o acervo da Casa das Histórias, [para] poder haver mais descentralização, estar mais presente em museus fora dos dois grandes centros urbanos [Lisboa e Porto], precisamente para que a obra de Paula Rego se aproxime mais e seja mais conhecida pelas pessoas”.

A ministra da Cultura revelou também que a pintora estará em destaque na programação cultural da Presidência de Portugal da União Europeia, em 2021, que vai promover as mulheres nas artes com uma exposição que lhes será exclusivamente dedicada.

Recorde aqui as palavras que em 2017 Paula Rego endereçou à AZUL.