Palácio de Mafra avança na candidatura a Património Mundial da UNESCO

Palácio Nacional de Mafra. - ph. Nélson Cruz

 

Fotografia: Nélson Cruz

 

O Real Edifício de Mafra e o Santuário do Bom Jesus do Monte (Braga) passaram à fase seguinte da candidatura a Património Mundial, confirmou a Comissão Nacional da UNESCO.

As candidaturas foram entregues no final de Janeiro de 2017, seguindo-se agora “um longo processo” de acordo com a secretária-executiva da Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO, Rita Brito.

“Agora vão passar para a fase de avaliação pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios – ICOMOS. É um longo processo e a recomendação que vão fazer pode ser de diversos tipos. Só no ano que vem é que serão apresentadas, na melhor das hipóteses, ao Comité do Património Mundial”, afirmou a responsável.

A UNESCO adoptou, em 1972, a Convenção do Património Mundial, Cultural e Natural, com o objectivo de “proteger os bens patrimoniais dotados de um valor universal excepcional”, tendo sido criados, quatro anos mais tarde, o Comité do Património Mundial e o Fundo do Património Mundial.

Portugal conta actualmente com 15 sítios classificados como Património Mundial pela UNESCO, tendo começado, em 1983, com quatro locais: o Centro Histórico de Angra do Heroísmo, o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, em Lisboa, num conjunto de proximidade, o Mosteiro da Batalha e o Convento de Cristo, em Tomar. Mais tarde, vieram a ser classificados o Centro Histórico de Évora (1986), o Mosteiro de Alcobaça (1989), a Paisagem Cultural de Sintra (1995), o Centro Histórico do Porto (1996), a Arte Rupestre do Vale do Côa (1998), a Floresta Laurissilva da Madeira (1999), o Centro Histórico de Guimarães (2001), o Alto Douro Vinhateiro (2001), a Paisagem da Cultura da Vinha da ilha do Pico (2004), a Cidade-Quartel de Elvas e suas Fortificações (2012) e a Alta e Sofia da Universidade de Coimbra (2013).

Em Maio de 2016 foi concluído o processo de actualização da lista indicativa de Portugal ao Património Mundial.

De acordo com a página da UNESCO, foram apresentados 21 bens pelo nosso país: o Aqueduto das Águas Livres, os Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago de Compostela, o Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros (extensão), o Complexo Industrial Romano de Salga e Conserva de Peixe em Troia, o Conjunto de Obras Arquitetónicas de Álvaro Siza em Portugal, a Costa Sudoeste, o Deserto dos Carmelitas Descalços e Conjunto Edificado do Palace-Hotel no Bussaco, a Dorsal Médio-Atlântica, o Edifício-sede e Parque da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, as Fortalezas Abaluartadas da Raia, as Ilhas Selvagens, as Levadas da Madeira, a Lisboa Histórica, a Lisboa Pombalina, Lugares de Globalização, Mértola, Paisagem Cultural de Montado, o Palácio e Tapada Nacionais de Mafra e Jardim do Cerco, a Rota de Magalhães, o Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, e Vila Viçosa.

No início deste ano, o coordenador nacional do Ano Europeu do Património, Guilherme d’Oliveira Martins, afirmou que o Ano Europeu do Património pode facilitar classificação de tesouros mafrenses pela UNESCO.

Recorde-se que, presentemente, a circulação em torno do Palácio Nacional de Mafra foi interditada devido ao mau tempo previsto para estes dias. A Câmara Municipal anunciou que os sinos do convento estão em risco de cair e o Presidente Hélder Sousa Silva criticou os sucessivos atrasos nas obras de recuperação dos carrilhões.