Os seis órgãos históricos vão voltar a ouvir-se no Festival Internacional de Mafra

 

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Os seis órgãos históricos mafrenses vão voltar a ouvir-se na terceira edição do Festival Internacional do Órgão de Mafra, entre 27 de Abril (já o próximo Sábado) e 12 de Maio, um ano depois de serem sujeitos a obras de conservação.

O Concelho de Mafra, que é símbolo da cultura organística pelos seus instrumentos históricos e únicos, vai receber um evento que reúne prestigiados intérpretes de várias nacionalidades. O órgão será apresentado não só como solista, mas também em conjunto com grupos corais e outros instrumentos, culminando com o concerto de encerramento, nos seis órgãos da Basílica do Palácio Nacional de Mafra, pelos organistas do Pontifício Instituto de Música Sacra do Vaticano, a escola do Vaticano, numa espécie de “revisitação” do sonho de D. João V: trazer a música de Roma para Portugal.

O III Festival Internacional de Órgão de Mafra, organizado pela Câmara Municipal, com o apoio do Palácio Nacional de Mafra e da Vigararia de Mafra e o patrocínio da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Mafra, inaugura o regresso dos concertos ao conjunto único dos seis órgãos da referida Basílica, após os trabalhos de manutenção que foram custeados pela Câmara Municipal.

Ao longo de três fins de semana consecutivos, os concertos decorrerão, também, nos restantes quatro órgãos históricos do Concelho (Gradil, Ericeira, Encarnação e Livramento), bem como no novo instrumento recentemente instalado na Igreja de Santo André, em Mafra.

O festival caracteriza-se pelo programa diversificado, percorrendo vários períodos da História da Música, que será tocado tanto por reconhecidos organistas nacionais e estrangeiros especializados em instrumentos históricos, como por jovens intérpretes.

O director artístico do festival, João Vaz, que acompanhou o restauro daqueles instrumentos, explicou que a intervenção do último ano foi sobretudo um trabalho de “harmonização” daquele conjunto único no mundo.

“O calar dos órgãos estava iminente, o que era inconcebível”, disse o presidente da câmara municipal, Hélder Sousa Silva, justificando o investimento de 150 mil euros da autarquia nestas obras.


O III Festival do Órgão de Mafra começa às 21:30 do dia 27 de Abril com um concerto de órgão, por Rui Paiva, e de flauta de bisel, por Pedro Couto Soares, no órgão da Igreja do Gradil, em que vão ser interpretadas obras de Castelo, Pachelbel e Bach, dos séculos XVII e XVIII.

No dia seguinte, 28 de Abril, pelas 17:30 a russa Olga Zhukova vai tocar composições dos alemães Kerll, Bach, do Século XVIII, e de Philip Glass, na Igreja de S. Pedro da Ericeira, demonstrando que “os órgãos antigos podem ser adaptados a obras recentes”.

A 3 de Maio, a Igreja da Encarnação recebe às 21:30 o concerto de Aurore Baal, que recebeu o título de Jovem Organista de 2017 e foi vencedora do concurso de Innsbrück. A organista vai interpretar composições francesas, italianas e ibéricas, passando por autores como Carreira, Titelouze, Trabaci e Seixas.

No dia 4 de Maio, às 21:30, tem lugar o primeiro dos concertos na Basílica do Palácio Nacional de Mafra, reunindo o coro Voces Caelestes, os organistas João Vaz, Inês Machado, Sérgio Silva, Margarida Oliveira, Diogo Rato Pombo e Daniela Oliveira, sob a direcção de Sérgio Fontão, sendo que o elemento central do programa é a audição moderna de um conjunto de secções do ordinário da missa, da autoria de um compositor italiano (ou de formação italiana) activo em Portugal nos finais do século XVIII.

No dia seguinte, 5 de Maio, às 16 horas, a música regressa à Basílica, marcando, também, o retomar dos concertos a seis órgãos que continuarão a assinalar os primeiros domingos de cada mês. Os intérpretes serão os organistas Sérgio Silva, André Ferreira, David Paccetti Correia, Margarida Oliveira, Diogo Rato Pombo e Daniela Moreira.

A 10 de Maio, a Igreja de Santo André de Mafra acolhe pelas 21:30 o concerto para coro e órgão, com o Ensemble Lusiovoce e os organistas Sérgio Silva e Clara Alcobia Coelho a propor composições contemporâneas inspiradas no canto gregoriano.

No dia seguinte, 11 de Maio, o festival juntará pelas 21:30 na Igreja de Nª Sra do Livramento as sonoridades do órgão (por João Vaz), do corneto (por Tiago Simas Freire), instrumento característico dos séculos XVI e XVII, caído em desuso, e da gaita-de-foles medieval, interpretando obras de Monteverdi, Gabrieli e Frescobaldi, ligadas à prática litúrgica.

O Festival encerrará, então, no dia 12 de Maio pelas 21:30, com um concerto nos seis órgãos da Basílica do Palácio Nacional de Mafra em que serão interpretadas obras de Frescobaldi, Bonelli e Cabezón.