Nark: “O que mais me atrai em Mafra é a terra em si”

 

Texto: Hugo Rocha Pereira | Fotografia: Nark

 

Há pouco mais duma semana falámos sobre o mural “Mafra é Música”, pintado por Nark num prédio da vila cujo Palácio Nacional celebra este ano o seu tricentenário. Entretanto fomos conversar com Nark para conhecermos melhor o conceituado autor que trouxe a arte urbana à sede do Concelho. O street artist (ou talvez não…) e tatuador falou sobre a obra que homenageia a relação histórica de Mafra com a música, o seu percurso na arte urbana e a relação pessoal com esta região.

 

Quais foram as principais dificuldades sentidas na execução do mural “Mafra é Música”?

A maior dificuldade foi sem dúvida o vento, o pior inimigo do spray.

Optei por estilos mais clássicos para se adequarem melhor ao cenário e à temática pretendida

Como surgiu a oportunidade para realizares este trabalho?

Já há algum tempo que procurava falar com a Câmara Municipal de Mafra para realizar projectos do género. Assim que consegui chegar à fala com o Presidente [Hélder Sousa Silva] as coisas fluíram. É uma pessoa bastante dinâmica e sugeriu-me que apresentasse propostas… e assim foi.

O feedback tem sido extraordinário

Nesta tua obra encontramos referências aos carrilhões, música clássica e jazz. Identificas-te com algumas destas manifestações musicais? Quais são os géneros que mais te inspiram?

Optei por estilos mais clássicos para se adequarem melhor ao cenário e à temática pretendida. Eu gosto de todo o tipo de música, não me identifico com nenhum estilo em particular. O que mais ouço actualmente é hip hop.

Aqui ainda estávamos perante um work in progress - ph. Nark

Aqui ainda estávamos perante um work in progress – ph. Nark

Qual tem sido o feedback em relação a esta pintura?

O feedback tem sido extraordinário, aqui é novidade e como tal foi uma surpresa bastante positiva para as pessoas aqui residentes.

 

Podes dar-nos uma breve apresentação do artista Nark, tanto na vertente de tatuador como de street artist?

Sou tatuador há pouco mais de três anos e vejo a tatuagem como mais uma maneira de desenvolver o meu trabalho. Em relação ao graffiti, não me sinto um street artist, mas isso dava uma longa conversa [risos]. Apenas quero desenvolver o meu trabalho artistico, actualmente coloco-me numa vertente mais social e proactiva.

 

Quais foram as outras obras de arte urbana que mais gozo te deram?

As obras que me deram mais gozo foram, sem dúvida, o mural que fiz do Pinóquio no festival Cara ou Coroa (no Bairro da Bela Vista, em Setúbal), o mural de Algés intitulado “Me” e, por último, “Child’s Play”, na Quinta do Mocho.

Pinóquio - ph. Nark

Qual é a tua ligação a Mafra? 

Nasci em Lisboa e vivo em Mafra há cerca de quatro anos. Tenho um estúdio de tatuagens aqui em Mafra [ndr: A’Nark Tattoo Studio] há quase dois anos

 

O que mais te atrai em Mafra e nesta região?

O que mais me atrai em Mafra é a terra em si, as pessoas, estar perto da praia… tudo de bom. Para não falar no pão.

não me sinto um street artist

Consideras que Mafra já está sensibilizada para este tipo de arte urbana?

Para este tipo facilmente estará… agora depende daquilo que se faz.

 

Vias-te a fazer algo do género na Ericeira? Onde e o quê?

Sim, porque não?! Gostaria de fazer algo bem central, mas confesso que ainda não pensei nisso.

O tattoo studio de Nark fica bem no centro de Mafra.

O tattoo studio de Nark fica bem no centro de Mafra.