Investigação em curso sobre Surfistas e Pescadores da Ericeira

 

Fotografia: Vera Azevedo

 

Encontra-se em curso uma investigação de carácter académico que incide, em simultâneo, sobre duas actividades que moldam o passado, o presente e o futuro da Ericeira: a Pesca e o Surf.

Desde 2017 que Vera Azevedo, investigadora do Centro em Rede Investigação em Antropologia (CRIA) do pólo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tem vindo a desenvolver um estudo que será a base para a sua tese de doutoramento em Antropologia.

Intitulada “Surfistas e Pescadores: Património, Trabalho e Desporto na Ericeira”, pretende dar conta dos processos de transformação de vilas piscatórias em mecas do surf partindo da Ericeira, vila piscatória que constitui a primeira (e única) Reserva Mundial de Surf (RMSE) do continente Europeu.

Num resumo breve enviado pela doutoranda, “o estudo reflecte o impacto da patrimonialização do mar na vila da Ericeira”. Através do método etnográfico, aliado a entrevistas e pesquisa documental, o objectivo passa por analisar os discursos oficiais sobre o património marítimo português e a multiplicidade de usos do litoral e da praia, contextualizando as dinâmicas de desporto, lazer e trabalho na Ericeira.

Surfistas e Pescadores: Património, Trabalho e Desporto na Ericeira” estuda os processos de transformação de vilas piscatórias em mecas do surf partindo da Ericeira

Nesse sentido, no quadro da Estratégia Nacional para o Mar 2013/2020 e porque a Ericeira foi consagrada Reserva Mundial de Surf em 2011, Vera Azevedo investigou “as práticas e estratégias de surfistas, pescadores, comunidade em geral e entidades locais perante esta nova realidade. Também se observou o crescimento da indústria de surf local e o seu impacto no sector da pesca de pequena escala por forma a compreender as transformações ocorridas e a relação deste desporto com a economia e políticas locais. Finalmente, porque o surf e a pesca são práticas constituídas na ‘experiência vivida’, o estudo contemplou ainda entender como é que a acção performativa do surfista e pescador, na sua relação com o mar e no quotidiano da RMSE, produz e consolida uma narrativa marítima”.

Vera Azevedo tem levado a temática do seu estudo a algumas conferências dentro e fora de Portugal: Stockholm (EASA) e Oxford (ASA), em 2018, e Lisboa (APA) em 2019.

Neste momento a investigadora encontra-se a finalizar a fase de ‘trabalho de campo’ para iniciar a escrita da tese de doutoramento, que deverá ser pública em meados de 2021.

É possível visitar online o centro de investigação (onde consta o projecto inicial) e o perfil académico de Vera Azevedo.

Henrique Pyrrait – ph. José Guerra