Gony Zubizarreta: “estou no meu melhor momento”

 

Entrevista: Hugo Rocha Pereira

Fotografia: DR

 

Gony Zubizarreta começou a presente temporada competitiva em grande estilo. Entre outros resultados, o surfista galego residente na Ericeira desde 2011 atingiu a final na etapa do WQS realizada na Martinica e o desempenho nas duas primeira etapas da Liga Moche deram-lhe a liderança actual do circuito nacional de surf. Na véspera do arranque do Sumol Porto Pro, 3ª etapa da Liga Moche, publicamos uma entrevista que dá a conhecer várias facetas deste atleta de topo, muito humilde e que contagia pelo entusiasmo com que encara a vida e o surf. Do momento feliz que atravessa aos 31 anos até à sua relação com a Ericeira, o treinador e o shaper, este é o resultado da conversa com um dos surfistas mais explosivos e consistentes que podem ser vistos pela nossa costa.

 

Estás num grande momento de forma. A que pensas que se deve esta excelente fase da tua carreira?

Este ano comecei bem, com vitórias em Espanha e em Ribeira d’Ilhas, segundos lugares na Costa da Caparica e na Martinique, no WQS 3000. A verdade é que estou num momento de forma óptimo, com mais experiência que nunca e muito feliz com a minha vida em geral, o que é muito importante para poder tirar bons resultados. Não sinto pressão de demostrar nada a ninguém e estou a curtir muito cada um dos campeonatos. Toda a vida a surfar, viajar e competir, há momentos difíceis e podes perder a pica… eu agora estou no meu melhor momento, muito feliz e agradecido a todos os meus patrocinadores, amigos e família por estarem sempre ao meu lado.

 

Continuas a ter como treinador o José Maria Pyrrait. Qual é o papel dele neste teu momento de forma?

Treino com o Pyrrait desde 2012 e o nosso trabalho está a dar resultados. É muito boa pessoa para treinar, sempre com as palavras certas no momento certo, simples, directas, confiantes. O Pyrrait ajudou-me muito a ganhar confiança em mim próprio. Também adoro treinar fisicamente com ele, boxe e todo o tipo de treinos funcionais. Obrigado por tudo, Zé Maria!

 

Em 2002 foste Campeão Mundial Sub-18 da ISA e em 2009 falhaste a qualificação para o World Tour por apenas um heat. Aprendeste e cresceste mais com a glória ou com a desilusão?

Aprendi muito em 2002 quando ganhei aquele mundial em Narrabeen! Não é fácil aprender a lidar com vitórias importantes. Ganhar o teu primeiro mundial é difícil mas manter esse nivel e continuar a ganhar e aiinda mais difícil. Em 2009 não me qualifique por pouco, mas aprendi imenso e tirei grandes resultados no circuito WQS. Na minha opinião, não estava preparado psicologicamente para estar no WT. Acho que na altura não ia saber lidar com a pressão e a experiência ia ser bastante dura. Agora sinto que sou uma pessoa mais madura e muito mais forte como surfista e também psicologicamente.

 

Aos 31 anos, estás em 19º do ranking do Qualifying Series. Continuas a perseguir o objectivo de entrar no Championship Tour?

Sim, ainda tenho esse objetivo e vou continuar a trabalhar para conseguir chegar lá.

Com 14 anos surfei Ribeira d’Ilhas no Pro Júnior e adorei a onda e o lugar.

Sendo galego, quais são as principais afinidades que encontras com Portugal e os portugueses?

Temos muitas coisas em comum, a língua é muito semelhante. O galego e o português são quase iguais. A comida e as pessoas também me fazem lembrar muito a Galicia.

 

Como começou a tua relação com a Ericeira?

Com 14 anos surfei Ribeira d’Ilhas no primeiro Pro Júnior e adorei a onda e o lugar. Voltei todos os anos e comecei a ter um carinho especial por esta terra: as suas ondas e a gente desta vila são únicas.

 

Quando e porquê decidiste vir morar para a Ericeira, pelo menos durante boa parte do ano? Há quantos anos vives cá?

Em 2011 comprei casa na Ericeira porque é o meu sítio preferido para surfar na Europa e muito bom para melhorar o meu surf. A ligação com a família Uricchio e a Semente também foi essencial para a minha mudança. Sem eles, não sei se eu ia estar a morar cá agora. São como uma segunda família para mim.

 

Fala-nos dessa tua relação com a Semente e o Nick Uricchio.

Levo 16 anos a surfar com pranchas Semente. Sempre trabalhei muito com o Nick, dando feedback para melhorar os modelos e encontrar a “prancha mágica”. Estou muito agradecido a toda a equipa da Semente pela confiança, o trato familiar, o apoio e todas as pranchas que me ajudaram na minha carreira desportiva ate agora. O Nick é um dos melhores shapers do mundo e tenho sorte de poder trabalhar com ele de uma forma tão simples, o ‘Sheriff’ é uma inspiração como pessoa, para mim e para muita gente aqui na Ericeira e no resto da comunidade surfista. Adora o mar e o surf, continua a surfar com alto estilo. É um privilegio ser seu amigo há tantos anos. Realmente, às vezes sinto-me como se fosse um filho dele.

 O ‘Neko’ Pyrrait deu um salto muito grande neste último Inverno

Do que gostas mais na Ericeira?

Adoro cada uma das suas ondas, a comida em Ribamar, sobretudo O Pescador, essa família é cinco estrelas. As surfadas matinais nos Coxos… as festinhas no Verão, a Skeleton Sea e os seus artistas, etc.

 

Quais são as tuas ondas preferidas, na Ericeira e fora dela?

Backdoor e Coxos, Cloudbreak, Snapper Rocks e Jefreys Bay.

 

Quem são os teus surfistas preferidos da Ericeira?

Nick Uricchio, Miguel Fortes, Tiago Oliveira, Mica Lourenço, José Gregório e Tiago ‘Saca’ Pires.

 

E quais são os surfistas da Ericeira a quem apontas um futuro mais brilhante?

Acho que o Henrique ‘Neko’ Pyrrait deu um salto muito grande neste último Inverno, surfou muito bem nos Coxos e está a melhorar muito. O Arran Strong também, ficou em terceiro no Pro Júnior Europeu da Costa da Caparica o mês passado e tem muito potencial, se continuar assim. Os dois são muito fixes e um bom exemplo para os outros putos.

 

Quais são os teus géneros musicais e bandas favoritas?

Gosto de todo tipo de música, dependendo do momento. As minhas bandas favoritas são Black Sabbath, Motörhead, Led Zeppelin, The Pogues, Ramones, Johnny Cash… Sou uma pessoa muito tranquila e alegre, mas adoro músicas tristes.

A voar na prancha mágica - ph. Kako_Pro

A voar na prancha mágica – ph. Kako_Pro