Francisco Gato, o carrilhanista que ama a guitarra portuguesa

Francisco Gato - ph. DR

 

Texto: Paulo Galvão | Fotografia: DR

 

A Sala dos Actos Literários do Palácio Nacional de Mafra recebe hoje um espectáculo único, protagonizado por quatro virtuosos intérpretes da guitarra. O concerto, que terá início às 21h30, esgotou assim que foi anunciado, mas ainda assim, a AZUL quis falar com o mestre Francisco Gato, conceituado carrilhanista do Palácio de Mafra, que também é um apaixonado pela sua guitarra portuguesa.

 

Que espectáculo é este e como surgiu esta ideia? 

Esta foi uma ideia muito feliz de um homem cá de Mafra, José Simões, que tem uma grande capacidade de realização e que me convidou para este desafio. É claro que eu aceitei logo.

 

Quem são os músicos que acompanharão o Francisco Gato neste concerto?

Olhe, um dos músicos é um amigo, ex-comandante da TAP, o José Eduardo. Na guitarra clássica teremos o José Simões e também o César Silva. E eu, na guitarra portuguesa.

 

O que é que nos pode dizer sobre o reportório que vai ser tocado?

Posso dizer-lhe a minha parte do espectáculo: guitarradas. Logo para começar, uma composição muito bonita do meu pai, Francisco Gato, que se chama “Variações em Sol Maior”. Depois, estou a pensar numa peça que eu tocava no carrilhão e que fica muito bem em guitarra, chamada “Claridade”. Vou ainda tocar uma composição que eu fiz já há muitos anos, a que chamei “Adágio Fadista”. A acompanhar-me terei o José Eduardo, que vai também tocar comigo a “Guitarrada do Vale” e, no final, uma adaptação de “Avé Maria” de Gounod para guitarra portuguesa.

O que eu queria mesmo era que alguma entidade recuperasse o carrilhão.

É um conhecido intérprete dos Carrilhões de Mafra, mas também tem feito da guitarra portuguesa uma companheira ao longo da vida. Nos pratos da balança onde é que fica cada um destes instrumentos?

Ainda bem que fala disso, porque o que eu queria mesmo era que alguma entidade recuperasse o carrilhão. A situação é crítica e o carrilhão é o reflexo do estado em que se encontra o país. É um assunto que não se resolve e, entretanto, já os carrilhões estão outra vez em ruínas. Mas respondendo à sua pergunta, sempre gostei muito da guitarra portuguesa, mas se tivesse que escolher, seria o carrilhão o meu preferido.

 

O Francisco Gato é um Mafrense dos “quatro costados”. Contudo, que relação tem com a Ericeira?

A Ericeira era a minha praia desde garoto. É como se fosse a minha casa e conheço lá muita gente e, de facto, foi a Ericeira que me fez crescer. Lembro-me de quando o meu pai era vivo; ele à guitarra e eu à viola, no Páteo dos Marialvas, nos anos 1960. Eram grandes noites, mas depois estes convívios nocturnos passaram a ser raros na Ericeira.

 

Acha possível fazer uma reedição deste espectáculo de hoje numa noite de verão na Ericeira? 

Sabe, eu estou em vias de me reformar completamente, mas enquanto as pessoas gostarem do que faço…

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