Ericeira e Mafra em App de realidade aumentada

 

Fotografia: DR

 

Com a App LisboaViral – desenvolvida pela NextReality – obras de Arte Aumentada começaram a invadir diversos pontos turísticos da Área Metropolitana de Lisboa, incluindo a Praia dos Pescadores e o Palácio Nacional de Mafra.

Este projecto, que visa combinar arte com novas tecnologias, está materializado em esculturas com formas de vírus ou pequenos organismos concebidas através de um algoritmo especialmente desenvolvido para esta iniciativa. Com esta App o utilizador pode recorrer ao seu smartphone ou tablet para ver animações em realidade aumentada das esculturas presentes em diversos locais emblemáticos: além da icónica praia jagoza e do grandioso monumento mafrense, fazem parte desta App a Torre de Belém, o Palácio de Belém, a Praça do Comércio, o Chiado, o Rossio, o Cais do Sodré, o Bairro Alto, Alfama, a Estação do Oriente, a Boca do Inferno (em Cascais), o Palácio de Sintra e o Cabo Espichel, em Sesimbra. Estas cidades e vilas transformam-se, assim, em telas da expressão artística do futuro.

Estes vírus são esculturas artificiais, mas também símbolos da transformação das cidades e, em geral, das aceleradas mudanças que se têm vindo a operar na cultura e na civilização humana, pelo que o seu efeito nas pessoas é ambivalente: causam, em simultâneo, fascínio e medo pelo que anunciam.

A empresa NextReality desenvolveu esta aplicação de realidade aumentada para o novo projecto do artista português Leonel Moura, que tem desde Junho 17 esculturas de realidade aumentada espalhadas pela Grande Lisboa.

Esta aplicação está disponível gratuitamente para equipamentos com iOS ou Android nas respectivas app stores. Depois de instalada, a aplicação revela a localização das esculturas de Leonel Moura e dá a conhecer o ponto onde o utilizador se encontra no momento. Para ver as animações de realidade aumentada, basta dirigir-se ao local das instalações de Leonel Moura e procurar as esculturas que só são visíveis através da câmara do smartphone ou do tablet – a aplicação disponibiliza então a animação destes vírus no ecrã do equipamento móvel.

para ver as animações de realidade aumentada basta dirigir-se ao local das escultura e procurá-las

Mário Martins, da NextReality, sublinha que “a aplicação LisboaViral testemunha a forma com a realidade aumentada pode melhorar as experiências de visualização e de interacção com o mundo que nos rodeia. É para nós um orgulho associarmo-nos a este projecto de Leonel Moura e em colocarmos mais uma vez a tecnologia de realidade aumentada ao serviço da arte e da cultura nacionais”.

Inédita em Portugal e um dos primeiros projectos do género no mundo, esta exposição de realidade aumentada tem o apoio do Turismo de Lisboa e vai estar disponível até ao final deste ano.

Leonel Moura é um artista precursor na aplicação da robótica e da inteligência artificial à arte. Desde o princípio do século criou vários robôs pintores. As primeiras pinturas realizadas em 2002 com um braço robótico foram capa da revista do MIT dedicada à Vida Artificial. RAP, criado em 2006 para o Museu de História Natural de Nova Iorque, faz desenhos de forma autónoma, decide quando a obra está pronta e assina.

Outras obras incluem instalações interactivas, pinturas e esculturas de “enxame” e a peça RUR de Karel Capek, com 3 robôs actores, estreada em São Paulo em 2010. O Robotarium, inaugurado em 2007, descrito como um zoo para robôs, foi o primeiro do género no mundo. Nos últimos anos Leonel Moura tem também produzido esculturas de grande dimensão em impressão 3D e projectos de Realidade Aumentada.

Autor de vários livros sobre Arte e Ciência, em 2009 foi nomeado Embaixador Europeu da Criatividade e Inovação pela Comissão Europeia. Recentemente participou na exposição “Artistes & Robots” no Grand Palais em Paris e na exposição “Cérebro” na Fundação Gulbenkian.