Eefje Ludwig: «Pretendo reforçar a ligação entre os seres humanos e a natureza»

 

Fotografia: DR

 

Eefje Ludwig nasceu na Holanda. Em Abril de 2019, a produtora, consultora e curadora de fotografia mudou-se para a Ericeira, onde sentiu um enorme impacto de viver à beira-mar no seu bem-estar mental e emocional. Depois de começar a trabalhar no projecto ‘Blue Mind’, durante o último Verão, ela decidiu fotografar e entrevistar talassófilos, o que significa amantes do mar. Em breve, o projecto Thalassophiles vai ser destacado na AZUL – Ericeira Mag, portanto, depois de ler esta entrevista, mantenha-se em contacto com o nosso site e redes sociais para ficar a par das novidades.

blue mind refere-se à imensurável sensação de paz que os humanos sentem em torno da água

O que fez nascer este projecto?

Logo após me ter mudado para a Ericeira, no início de 2019, comecei a trabalhar num projecto chamado ‘Blue Mind’. Neste projecto, exploro a chamada “mente azul”, um termo introduzido pelo biólogo marinho Wallace J. Nichols, pelo qual ele se refere à imensurável sensação de paz que os humanos sentem em torno da água. É uma sensação que experimentei desde que me mudei para perto do oceano, o que me surpreendeu. Eu esperava gostar de viver junto ao mar, mas não esperava sentir um impacto tão forte no meu bem-estar mental e emocional. Nichols acredita que todos temos uma mente azul, um estado levemente meditativo, caracterizado por calma, paz, unidade e um sentimento geral de felicidade e satisfação com a vida no momento presente. Então, tentando entender melhor esse sentimento e processos, investiguei visualmente a minha ligação pessoal com o oceano através de abstracções visuais de experiências sensoriais. Após trabalhar nesse projecto por alguns meses, senti que lhe estava a faltar um elemento humano, visualmente falando. E como sabia, através das pessoas que conheci até então, que muitas pessoas experimentavam essa ‘mente azul’, comecei a convidar e a pedir que as pessoas que se identificassem com o termo talassófilo fossem fotografadas e entrevistadas por mim. Foi uma maneira de continuar a conversa sobre esse tópico e também mostrar que, embora todos tenham ligações e emoções diferentes com o oceano, também há algo em comum, e essa coisa é exactamente a ‘mente azul’.

Talassófilo significa “amante do mar, alguém que ama o oceano” – considera-se uma talassófila?

Sim, embora (para ser honesta) não goste de me rotular demasiado com algo tão específico. Eu também consigo viver os mesmos sentimentos e emoções num ambiente verde. Cresci na floresta, então estar cercada por árvores parece-me muito natural e ‘caseiro’ para mim. Mas sim. O oceano, e especificamente o Oceano Atlântico, tem algo muito especial. Uma energia que dá e tira. É tão poderoso. Isso fortalece as minhas emoções, para o melhor e para o pior. Mas, no geral, isso faz-me sentir parte de algo maior. E gosto realmente desse sentimento.

comecei a convidar pessoas que se identificassem com o termo talassófilo

Este projecto começou na Ericeira. Como tem estado a correr?

Comecei a trabalhar no Blue Mind por volta de Abril de 2019 e comecei a fotografar para o projecto talassófilos no Verão de 2019. Como agora estou de volta à Holanda e não estou perto do mar, não estou a fotografar nem a produzir, mas continuo a trabalhar no conceito e a desenvolver novas ideias e maneiras de continuar a trabalhar no projecto. Está na prateleira por alguns meses e depois continuá-lo-ei. Também pretendo gravar mais vídeos, além de continuar com as fotografias.

Todos aqueles que fotografei levaram-me aos seus lugares favoritos junto ao oceano

Fotografa os convidados e regista suas respostas: o que mais gosta de fazer – as fotos ou as entrevistas?

Bem, claro que adoro fotografar. Todos aqueles que fotografei deram muito de si e levaram-me aos seus lugares favoritos junto ao oceano, incluindo alguns lugares que eu não conhecia. Então foi uma grande aventura e uma actividade inspiradora para mim. Mas, sim, falar com todos também foi muito valioso. Principalmente pelo motivo de se falar sobre o oceano, os seus poderes e ouvir o que as pessoas recebem dele e lhe dão em retorno.

Até agora, o que foi mais impressionante nas respostas dos convidados?

Bem, o que eu mais apreciei foi o acordo comum sobre o potencial e o poder do oceano. Era como se estivéssemos todos a falar a mesma língua. Além disso, também perguntei a todos o que eles dão ao oceano (além daquilo que obtêm do oceano). O interessante é que muitas pessoas tiveram de parar e pensar durante algum tempo e isso fez com que alguns percebessem que não dão nada ou o que não dão um retorno suficiente. O que é uma óptima revelação. Também porque é exactamente isso que pretendo fazer com meu trabalho em geral (a par deste projecto), fortalecer o relacionamento e a ligação entre os humanos e a natureza. Penso que em alguns casos consegui algum êxito nesse sentido.

 

Existe mais alguma coisa que gostasse de compartilhar?

Este é um projecto que eu realmente desejo continuar e partilhar com um público mais amplo. Particularmente na Ericeira e nos seus arredores. Porque se trata de pessoas que moram lá e que eu conheci onde as ondas do oceano tocam a areia… foram elas que me deram esse projecto e sou muito grata por isso.

Esta publicação também está disponível em | This article is also available in: Inglês