Descobertos antigos báculos da Basílica de Mafra

 

Fotografia: DR

 

Em Novembro foram encontrados dois báculos entre as colecções do Palácio Nacional de Mafra, possivelmente utilizados pelo cardeal-patriarca Tomás Almeida nas cerimónias de sagração da Basílica, em 1730.

Os dois báculos encontrados em Mafra têm cerca de 300 anos, são ambos de madeira entalhada e dourada e um deles é bastante leve, ostentando a tiara pontifícia alusiva à Patriarcal de Lisboa.

De acordo com a investigadora Teresa Leonor Vale, especializada em Museologia e Conservação das Obras de Arte, “ambos os báculos se nos afiguram, pelos aspectos formais e decorativos que evidenciam, coerentes com a produção da época, e apresentam características que sustentam esta nossa convicção”.

A identificação dos báculos partiu de uma “fonte manuscrita”, contemporânea da cerimónia de sagração, “fidedigna e pouco abordada”, “que se conserva na Biblioteca da Ajuda”, em Lisboa.

O grupo de investigação liderado por Teresa Leonor Vale projecta vir a editar o manuscrito da Biblioteca da Ajuda, que serviu de justificação à identificação dos báculos usados na cerimónia de abertura oficial da Basílica de Mafra, e a Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra adiantou à Lusa que vai financiar o restauro das “duas peças ímpares no seu contexto histórico e cronológico”.

O báculo trata-se de uma espécie de cajado utilizada pelos pastores. No entanto, este tem fortes referências em excertos bíblicos, como sendo fonte de lembrança dos grandes líderes religiosos que pregavam a palavra de Deus. Biblicamente, a função do báculo utilizado pelos pastores está estritamente ligada ao objectivo do cajado caso este fosse utilizado por membros eclesiásticos. Assim, uma vez que o principal objectivo dos pastores ao utilizarem o cajado é orientar as ovelhas e protegê-las dos lobos, o membro religioso utiliza o seu cajado para atrair fiéis e ao mesmo tempo protegê-los dos perigos.

A escolha de um material pouco nobre para a função e a dignidade do prelado ficou a dever-se a um aspecto prático: “A grande extensão temporal da cerimónia determinou assim que os báculos que o cardeal-patriarca usou fossem de madeira, por serem mais leves”, explica Teresa Leonor Vale. “Com estes báculos, cremos, bateu Tomás de Almeida na porta da basílica para que ela se abrisse e assim se desse início à cerimónia de sagração e, com a sua extremidade, efectuou no pavimento da basílica as marcações devidas, a dado passo do complexo cerimonial”.