Conchas pré-históricas resgatadas na Foz do Lizandro

Foz do Lizandro - ph. Márcio Barreira

 

Fotografia: Márcio Barreira

 

Conchas com cerca de 10 mil anos foram recentemente retiradas da praia da Foz do Lizandro para não serem destruídas pelo mar.

Este sítio arqueológico foi posto a descoberto no último Verão na sequência da retirada pelo mar de quatro metros de areia, mas só entre o final de Janeiro e o início de Fevereiro deste ano foi escavado de emergência devido à forte agitação marítima.

A escavação foi dirigida pelas duas arqueólogas e contou com a participação de estudantes da licenciatura, mestrado e doutoramento da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi escavada uma área de oito metros quadrados, mas os responsáveis acreditam que o sítio será muito mais vasto.

As arqueólogas disseram ontem à agência Lusa que o sítio arqueológico corria o risco de ser destruído pela agitação marítima: “Escavámos tudo o que estava exposto. O concheiro desapareceria se não fosse escavado”, declarou Ana Catarina Sousa, docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

“Identificámos lapas, mexilhão e, pontualmente, um búzio e uma ostra”, afirmou Marta Miranda, arqueóloga da Câmara Municipal de Mafra.

A existência deste concheiro pré-histórico prova que existiu ocupação humana nesta zona costeira há cerca de 10 mil anos: “Terão sido os últimos caçadores colectores da Europa que faziam acampamentos para consumo de recursos aquáticos”, considerou Ana Catarina Sousa, adiantando que foram “encontradas estruturas de fogueiras e vestígios de fauna aquática, pelo que terá sido um sítio de curta duração”.

O sítio arqueológico deverá datar do Mesolítico ou do Neolítico, mas só estudos laboratoriais poderão vir a comprová-lo.

“A interacção com as comunidades de caçadores recolectores que ocupavam este território é bastante complexa e sítios como o Lizandro contribuem para compreender a passagem de um modo de vida caçador-recolector para uma economia agropastoril, uma verdadeira revolução na história da Humanidade”, explicou a arqueóloga do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.

O concheiro situa-se a um quilómetro e meio de outro identificado em 1985 na vizinha praia de São Julião, onde existiu uma sucessão de ocupações humanas entre o Mesolítico e o Calcolítico, ou seja, entre o oitavo e o terceiro milénio Antes de Cristo