Aprovado plano de gestão da Reserva Mundial de Surf da Ericeira

ph. José Guerra

 

Fotografia: José Guerra

 

Fruto dum trabalho realizado por três associações (Associação dos Amigos da Baía dos Coxos; Ericeira Surf Clube e SOS – Salvem o Surf) em conjunto com a Câmara Municipal de Mafra, foi aprovado o plano de gestão para a Reserva Mundial de Surf da Ericeira, relativamente ao biénio 2018-19.

Segundo Pedro Bicudo (da SOS), o instrumento é “resultado de muito trabalho de campo, muitos estudos, muitas reuniões, algumas com debates intensos, conjugando a enorme experiência em surf e ambiente das associações de surfistas com os meios, os especialistas e a capacidade concretizadora da CMM”.

Foi, simbolicamente, no Dia Mundial dos Oceanos (8 de Junho) que se deu a apresentação deste documento de 61 páginas, que além de fazer uma apresentação da Reserva Mundial de Surf da Ericeira (RMSE), respectiva localização e descrição das ondas, apresenta uma visão estratégica para o futuro da RMSE por parte do Conselho Restrito do Conselho Municipal de Gestão da Reserva Mundial de Surf da Ericeira – CMGRMSE.

Pedro Bicudo: este plano de gestão é muito importante

No comunicado enviado pela SOS – Salvem o Surf pode ler-se em jeito de mensagem: “Celebramos assim o World Oceans Day e fazemos os votos que o nosso esforço frutifique a bem do surf e do ambiente.”

De acordo com o responsável da SOS – Salvem o Surf, “este plano de gestão é muito importante, pois identifica ameaças à qualidade do surf e do ambiente na Reserva Mundial de Surf da Ericeira e planifica as soluções para esses problemas”.

Entre as diversas várias “fraquezas e ameaças” registadas no documento, destacam-se a “ausência de estatuto legal do conceito de Reserva”, a “ausência do financiamento específico para a implementação e manutenção da Reserva”, o “aumento da pressão urbanística e turística na área classificada como Reserva”, a “ausência de um modelo de gestão local que considere a existência da Reserva” ou o “crescimento desenfreado das escolas de surf sem qualquer regulamentação”.

A actual conjuntura do sector do turismo em Portugal, conjugada com a popularidade crescente do Surf e o reconhecimento internacional das ondas nacionais tem moldado a actividade socio-económica da Ericeira nos últimos anos, conduzindo ao aumento do número de praticantes, à criação de escolas de surf e ao desenvolvimento dum grande volume de negócios associados à modalidade. Por tudo isto, torna-se cada vez mais premente tomar medidas de preservação deste património colectivo ímpar.

Este será mais um passo para dar consistência prática à RMSE

Este será, assim, mais um passo para dar consistência prática à RMSE, após a entrada em vigor, já em Janeiro do ano passado, do Regulamento do Conselho Municipal de Gestão da Reserva Mundial de Surf da Ericeira.

A Reserva Mundial de Surf da Ericeira é a única da Europa, estendendo-se por 4 km, entre a Praia da Empa e São Lourenço, em sete ondas de classe mundial: Pedra Branca, Reef, Ribeira d’Ilhas, Cave, Coxos, Crazy Left e São Lourenço.

Hélder Sousa Silva, Presidente da Câmara Municipal de Mafra, deixou a seguinte mensagem na carta de introdução ao plano de gestão: “O presente plano pretende contribuir para sistematizar e reforçar esta dinâmica, definindo objectivos para uma gestão sustentável da Reserva Mundial de Surf da Ericeira. Para cada objectivo foram identificadas as ameaças à sua concretização e as consequentes estratégias para mitigação, as quais integram, por sua vez, medidas que se materializam em acções, as quais serão desenvolvidas e suportadas financeiramente pelos vários parceiros, de acordo com os respectivos orçamentos anuais ou com a sua cultura e experiência de surf.”

“Previsto para o horizonte temporal de 2018 a 2020, este é um documento dinâmico, não só porque se pretende assegurar a sua monitorização e actualização regular em sede do CMGRMSE, mas também porque se ambiciona o envolvimento dos diversificados stakeholders institucionais, associativos e empresariais e, em última instância, dos próprios cidadãos”, finaliza o autarca.

É possível consultar aqui o plano de gestão da RMSE.

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