Amália Rodrigues e a Ericeira

 

Fotografia: Diário de Lisboa

 

O presente artigo deve ser iniciado com uma breve nota prévia: os parágrafos que se seguem não pretendem constituir um estudo exaustivo e completo sobre a duradoura relação que Amália Rodrigues construiu e manteve com a Ericeira ao longo da sua vida e carreira.

Esta compilação de factos reunidos em várias obras sobre a Diva maior da música portuguesa pretende, apenas, dar um pontapé de saída para algo que poderá vir a ser desenvolvido no futuro.

foi na Foz do Lizandro que Amália conheceu Alain Oulman

Existem, por exemplo, livros editados recentemente (“Amália: Ditadura e Revolução”, de Miguel Carvalho, ou “Amália nas suas Palavras”, de Manuel da Fonseca) que não entraram nesta pesquisa devido a uma mera questão de timings e gestão dos recursos disponíveis na AZUL – Ericeira Mag, que não podia deixar passar em branco o centenário desta Artista e associar-se humildemente às diversas iniciativas e publicações que começaram há meses e continuarão pelos próximos tempos fora. Conhecem-se vários outros exemplos que constituem testemunho sobre a sua ligação à Ericeira, como por exemplo Amália e a sua irmã Celeste costumarem comprar percebes a Henrique ‘Gramanha’ quando passavam temporadas nesta região.

Reunidos por tópicos, irão aqui passar-se em revista episódios concretos e situações descritas em diversas obras, entre biografias e livros que se debruçam sobre a maior Fadista de sempre: do incontornável Vítor Pavão dos Santos (autor do seminal “Amália – Uma Biografia” e do menos conhecido do grande público “O Fado da Tua Voz – Amália e os Poetas”) ao romanesco “Amália – o Romance da Sua Vida”, de Sónia Louro, passando por Fernando Dacosta, com “Amália – A Ressurreição” – em todos eles se encontram referências à Ericeira, demonstrando como esta não era apenas uma terra onde gostasse de passear de quando em vez. A título de exemplos, Amália chegou a ter casa em São Julião e foi na Foz do Lizandro que conheceu Alain Oulman, compositor que viria a desempenhar um papel fulcral na sua carreira.

Se, como cantou António Variações, “todos nós temos Amália na voz / e temos na sua voz / a voz de todos nós”, então a Ericeira também se encontra representada numa vida e carreira que conquistaram a eternidade.

gostava de acampar na Ericeira, com a brisa marítima a soprar

A CASA DE SÃO JULIÃO

A referência surge na obra «Amália – a Ressurreição», de Fernando Dacosta:

“E Amália assim fez, deixando um vastíssimo e valiosíssimo património: o palacete na Rua de São Bento (avaliado em um milhão de contos), a quinta do Brejão, composta por uma casa, um anexo e 14 hectares (300 000 contos), cinco andares na Rua Presidente Wilson, em Lisboa (175 000 contos), terrenos nas zonas da Ericeira e da Anadia e um terço duma farmácia, além de 210 000 contos em contas bancárias”

Esta imagem surge no livro «O Fado da Tua Voz – Amália e os Poetas», acompanhada pela seguinte legenda: “Amália no seu refúgio a meia dúzia de quilómetros da Ericeira, um acampamento aciganado tipo arraial de Santo António, assando sardinhas. Notícia no Diário de Lisboa de 14 de Junho de 1959, com esta foto”.

 

CAMPISMO SELVAGEM E O PRIMEIRO ENCONTRO COM ALAIN OULMAN

É referido em três livros: «Amália – a Ressurreição», de Fernando Dacosta; «Amália – o Romance da Sua Vida», de Sónia Louro; e «O Fado da Tua Voz – Amália e os Poetas».

 

«Amália – a Ressurreição», de Fernando Dacosta

“Oulman conheceu Amália Rodrigues em 1962, terreno de campismo selvagem onde ela passava férias, na foz do rio Lisandro (sic), junto à Ericeira, que comprara. Um dos seus objectivos ao procura-la era levá-la a interpretar os poetas cimeiros de língua portuguesa. Assim aconteceu e assim surgiram discos seus com criações do autor de Os Lusíadas, de Cecília Meireles, de David Morão-Ferreira, de Pedro Homem de Melo, de Manuel Alegre, de Alexandre O’Neill, de Ary dos Santos. «Cantei-os porque para mim eram fados», justificou Amália.”

 

«Amália – o Romance da Sua Vida», de Sónia Louro

“Gostava de acampar na Ericeira, com a brisa marítima a soprar mais vigorosa naquele momento e a obrigar-lhe a segurar o chapéu (…) abrindo os olhos para apreciar a praia do Lisandro (sic) e sentindo uma onda desfazer-se nos seus pés (…)
– É o Alain Oulman – apresentou Luiz de Macedo, colocando a mão no ombro do homem que tinha a seu lado (…)
– (…) Sou um apaixonado por si e pela música, por isso gostaria que ouvisse a composição que fiz para Vagamundo.
(…) Amália acedeu ao pedido e foram os três para a casa de um conhecido de Luiz de Macedo que não morava longe dali e tinha um piano.
(…) Logo naquela composição musical que Alain lhe mostrava, percebeu que ele podia ser a resposta ao que sempre desejara.”

 

«O Fado da Tua Voz – Amália e os Poetas»

“A fadista subsistirá na esposa que vou ser”, afirmava Amália ao Diário Popular, em 13 de Maio de 1961. Ela bem sabia, lá no fundo, que aquilo não era para durar. E não tardou, estava a acampar na Ericeira, ou a receber apoteoticamente em Setembro, o popular actor cómico mexicano Cantinflas, na sua casa em Lisboa.”

terá passado a lua-de-mel com César Seabra no acampamento da Foz do Lizandro

A lua-de-mel com César Seabra

É mencionada no livro «Amália – o Romance da Sua Vida», de Sónia Louro, onde se lê que Amália terá passado a lua-de-mel com o seu último marido, César Seabra, no acampamento localizado na Foz do Lizandro.

“SurFado” é o título deste tributo de Tiago ‘Saca’ Pires a Amália Rodrigues, na mais recente ligação entre Amália e a Ericeira.

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